Diário de São Paulo
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Morte de catador e empresário em Interlagos levantam suspeitas sobre segurança no Autódromo

Marcelo Edmar foi espancado até a morte por seguranças após entrar no Autódromo para coletar latinhas. Sete meses depois, o empresário Adalberto Amarilio foi encontrado morto nas proximidades, levantando suspeitas sobre a segurança do local

Marcelo Edmar e Adalberto Amarilio morreram em circunstâncias violentas ligadas ao Autódromo de Interlagos - Imagem: Reprodução | Redes Sociais
Marcelo Edmar e Adalberto Amarilio morreram em circunstâncias violentas ligadas ao Autódromo de Interlagos - Imagem: Reprodução | Redes Sociais

Lívia Gennari Publicado em 23/06/2025, às 13h18


Um crime brutal ocorrido em novembro de 2024 dentro do Autódromo de Interlagos, na Zona Sul de São Paulo, voltou a ser destaque após a morte do empresário Adalberto Amarilio dos Santos Junior, de 35 anos, , cujo corpo foi localizado em um buraco nos arredores do mesmo espaço. A nova investigação reacendeu suspeitas sobre os métodos usados pelas equipes de segurança que atuam no autódromo.

Violência fatal

Marcelo Edmar da Silva, um jovem de 26 anos que trabalhava com reciclagem, foi espancado até a morte por dois seguranças no dia 8 de novembro do ano passado. Ele havia ido ao local pela manhã para coletar latinhas, e retornou horas depois, com o objetivo de recolher mais material.

Segundo o Instituto de Criminalística, Marcelo entrou de forma irregular no autódromo ao escalar um dos muros. A abordagem dos seguranças, no entanto, foi desproporcional e violenta: ele foi amarrado, colocado de joelhos e agredido até não resistir. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que a causa da morte foi uma hemorragia intracraniana provocada por traumatismo craniano.

Os dois vigilantes, identificados como Francisco das Chagas de Souza Alves e Emerson Silva Brito, estão presos preventivamente desde o ano passado. Na época, eles alegaram que Marcelo portava uma faca e havia invadido o local com intenção de roubo, esta versão foi registrada no boletim de ocorrência.

Os seguranças também afirmaram que chegaram a efetuar disparos de arma de fogo para se defender. A arma foi apreendida, mas não havia câmeras de segurança no ponto onde a abordagem aconteceu, o que dificulta a apuração.

Sete meses após o assassinato do catador, sua família ainda aguarda por justiça. A decisão sobre se os acusados irão a júri popular deve ser tomada em breve, conforme avanço do processo judicial.

Caso do empresário gera dúvidas sobre segurança no Autódromo

Com a morte do empresário Adalberto e a descoberta do corpo em circunstâncias duvidosas, a polícia reavaliou o sistema de segurança do autódromo. Investigadores identificam semelhanças entre os dois casos, especialmente a atuação de funcionários terceirizados.

A Polícia Civil passou a considerar que Adalberto pode ter sido vítima de um golpe 'mata-leão', duante um confronto com um segurança do local após uma discussão.

Portanto, os investigadores estão ouvindo os seguranças que trabalharam no dia da morte de Adalberto. Dos 180 seguranças que atuaram no evento realizado no Autódromo de Interlagos, 100 já foram descartados como suspeitos. Agora, os investigadores concentram os esforços na checagem dos demais envolvidos, incluindo o grupo restante de seguranças, além de vendedores e frequentadores do evento.

Adalberto desapareceu em 30 de maio, após participar de um evento de motos no autódromo. Três dias depois, foi encontrado morto com escoriações no pescoço, dentro de um buraco próximo ao local.

A investigação sobre a morte do empresário segue em andamento, e a retomada do caso Marcelo pode fornecer elementos cruciais à apuração do caso.


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