Exame pericial confirma asfixia como causa da morte de Adalberto dos Santos; polícia descarta latrocínio e investiga crime com possível participação de mais de uma pessoa

Lívia Gennari Publicado em 17/06/2025, às 18h05
A morte do empresário Adalberto Amarilio dos Santos Junior, encontrado sem vida no Autódromo de Interlagos em 3 de junho, passou a ser oficialmente investigada como homicídio. A mudança na linha investigava ocorreu após o laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmar que a causa da morte foi asfixia. A informação foi divulgada pela Polícia Civil de São Paulo nesta terça-feira (17).
A conclusão do IML afastou a possibilidade de latrocínio e reforçou os indícios de que o empresário foi assassinado. Entretanto, a perícia ainda não definiu se a asfixia ocorreu por esganadura, evidenciada por escoriações no pescoço, ou por compressão torácica, possivelmente causada por um joelho pressionando o tórax da vítima.
O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, responsável pelo caso, agora concentra esforços para identificar os autores do crime. De acordo com a diretora do DHPP, delegada Ivalda Aleixo, há indícios de que ao menos uma ou duas pessoas tenham participado do crime. "Pode ter sido alguém da segurança, da manutenção, ou até mesmo alguém que mantinha algum tipo de relação pessoal com a vítima", afirmou em coletiva realizada na segunda-feira (16).
A delegada também destacou que "tudo indica" que Adalberto não chegou ao veículo onde foi encontrado, levantando a hipótese de que o corpo tenha sido colocado no local. Manchas de sangue localizadas no veículo, atrás do banco do passageiro, no assoalho e no banco traseiro, estão sendo analisados. Exames genéticos foram solicitados para identificar a quem pertencem os vestígios. A expectativa é a de que o resultado seja divulgado ainda nesta semana.
Exame toxicológico contesta versão de amigo
Os exames toxicológicos apontaram que não havia álcool nem drogas no organismo de Adalberto, o que contradiz o depoimento de Rafael Aliste, amigo do empresário e a última pessoa a estar com ele antes do desaparecimento. Ele afirmou à polícia que os dois beberam cerveja e fumaram maconha no dia do evento.
Além disso, os investigadores apontam contradições no depoimento de Rafael sobre o trajeto de Adalberto após o evento no autódromo de Interlagos. E no dia seguinte ao desaparecimento, Rafael afirmou ter sido vítima de um assalto, no qual quatro homens armados em duas motos teriam roubado sua moto, celular e capacete.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que detalhes adicionais da investigação serão mantidos em sigilo para preservar o andamento das apurações. O trabalho da polícia também inclui a análise de imagens de câmeras de segurança do autódromo, que podem ter registrado movimentações suspeitas antes e depois da chegada do empresário.
As investigações continuam com oitivas de testemunhas, organizadores do evento e profissionais que atuavam na área em que o corpo foi encontrado.
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