DNA será comparado ao da esposa de Adalberto. Manchas são recentes, e polícia não descarta ligação com o crime

Lívia Gennari Publicado em 20/06/2025, às 13h52
A investigação sobre a morte do empresário Adalberto Amarildo dos Santos Júnior, de 35 anos, encontrado em um buraco no Autódromo de Interlagos, na Zona Sul de São Paulo, avançou com novos desdobramentos na última quinta-feira (19). Um laudo da Polícia Técnico-Científica confirmou a presença de sangue de uma mulher não identificada no carro da vítima.
Os vestígios encontrados no carro do empresário foram analisados e teve parte do DNA identificado como pertencente a uma mulher ainda não reconhecida. A Polícia Civil solicitou a comparação do DNA com o da esposa do empresário. Embora exista a possibilidade de que o sangue tenha sido deixado no carro antes do crime, peritos afirmam que as manchas são recentes e estavam visíveis a olho nu, sem necessidade do uso de luminol.
Presença de sêmen não indica relação sexual
O laudo também revelou a presença de sêmen em sua região genital, o que, segundo os investigadores, não indica relação sexual antes da morte. De acordo com o secretário executivo da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico, a liberação de fluídos corporais, como urina, fezes e sêmen, pode ocorrer naturalmente em casos de asfixia.
“Após uma asfixia pode haver essa saída desses líquidos, e isso foi o que apontou o exame. Não indica qualquer relação sexual e também não há indício disso nos autos por ora. É algo biológico do corpo humano”, afirmou Nico, em coletiva de imprensa.
Ainda segundo os laudos, não foram encontradas lesões traumáticas nem indícios de violência sexual. No entanto, ferimentos nos joelhos de Adalberto indicam que ele foi machucado ainda em vida, o que levanta a suspeita de que tenha sido forçado a se ajoelhar ou arrastado antes da morte.
Polícia apura causa da asfixia
A delegada Ivalda Aleixo, diretora do DHPP, destacou que os peritos apontaram uma possível morte lenta e dolorosa. “Provavelmente foi uma morte agonizante, lenta, que ele podia estar desmaiado, tentando respirar, mas acaba falecendo”, disse.
A investigação apura se a asfixia foi causada por esganadura, já que foram identificadas escoriações no pescoço de Adalberto, ou por compressão torácica, possivelmente provocada pelo joelho de outra pessoa sobre o peito da vítima.
Depoimentos e análise de imagens
Do total de 180 seguranças que atuaram no evento realizado no autódromo, 100 já foram descartados como suspeitos após análise da localização de seus celulares, que indicaram que estavam fora da área do crime no momento do assassinato. Parte desse grupo já prestou depoimento. Agora, os investigadores concentram esforços na análise do restante dos envolvidos, incluindo vendedores e frequentadores do evento.
A polícia também analisa gravações de câmeras de segurança que cobrem um intervalo de cinco dias, captadas por nove equipamentos instalados na área do autódromo. Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) sobre resíduos encontrados sob as unhas da vítima ainda está em andamento e pode trazer novas pistas nos próximos dias.
Relembre o caso
Adalberto desapareceu em 30 de maio, após comparecer a um evento de motos no Autódromo de Interlagos. O corpo foi encontrado na manhã do dia 3 de junho, dentro de um buraco de obras da Prefeitura, em uma área restrita do autódromo. Desde então, a Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte e busca identificar os responsáveis.
O caso segue sob segredo de Justiça. Até o momento ninguém foi preso.
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