Marcola é acusado de ser mandante da morte de prisioneiros da antiga Casa de Detenção, no Carandiru

Ana Rodrigues Publicado em 01/11/2023, às 10h31
O TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) manteve a condenação de 152 anos de reclusão dada ao preso Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, pela morte de oito prisioneiros da antiga Casa de Detenção, no Carandiru, zona norte de São Paulo, em fevereiro de 2001.
Segundo o UOL, Marcola foi acusado pela Polícia Civil e Ministério Público Estadual de ser mandante dos crimes e por chefiar o PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo os investigadores, ele deu a ordem para que os assassinatos ocorressem porque as vítimas era integrantes da facção rival Seita Satânica.
A defesa dele ingressou na Justiça com uma revisão criminal, solicitando a desconstituição do título condenatório, alegando que não há comprovação de que ele integrasse o PCC à época dos fatos, não podendo assim vinculá-lo aos crimes e muito menos apontá-lo como mandante.
Os oitos desembargadores e o relator do 1º Grupo de Direito Criminal do TJ-SP entenderam, com base em depoimentos de presos, policiais e funcionários do sistema prisional, que Marcola era sim integrante do PCC e foi um dos sete mandantes.
Na avaliação dos desembargadores, Marcola e os outros seis acusados, todos também condenados pelo Tribunal do Júri, mandaram assassinar as vítimas isoladamente, em datas separadas, para não revelar que a matança se tratava de uma ação da facção criminosa. Na decisão, anunciada na semana passada, os desembargadores ressaltaram que os crimes foram praticados por motivo torpe (sentimento de vingança), por recurso que impossibilitou a defesa das vítimas (superioridade numérica dos agressores) e meio cruel (impuseram sofrimento demasiado aos rivais).
Os assassinatos na Casa de Detenção aconteceram em 2001. Confira as datas e horários:
Além de Marcola foram condenados como mandantes das mortes os réus Alcides César Delassari, o Blindado; Idemir Carlos Ambrósoio, o Sombra; César Augusto Roriz Silva, o Cesinha (um dos oito fundadores do PCC); Jonas Matheus; Edmir Armando Alfenas; o Feirante, e Edmir Vollete, o Vollete. Os executores também foram condenados.
Cesinha, Sombra, Blindado e Jonas Matheus foram assassinados no sistema prisional. Segundo policiais penais, Feirante e Vollete estão presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Marcola, com pena total de 330 anos, está na Penitenciária Federal de Brasília.
O preso sempre negou ser integrante do PCC e disse ser inocente das acusações, onde argumentou que na época dos fatos não estava na Casa de Detenção, mas na Penitenciária do Estado e, portanto, não poderia ser o mandante.
Depois dessas mortes na Casa de Detenção, Marcola foi transferido para prisões fora do estado de São Paulo e os seis réus acabaram mandados de volta para a Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, no Vale do Paraíba (SP), o berço do PCC, criado em 31 de agosto de 1993.
Segundo as autoridades, por causa das transferências, detentos protagonizaram, em fevereiro de 2001, a primeira rebelião em série no Brasil. O movimento atingiu 25 presídios e quatro cadeias públicas, deixando 14 presos mortos e 19 agentes penitenciários feridos.
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