Diário de São Paulo
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Absolvição de Cíntia

Justiça absolve Cíntia Chagas em ação movida pelo ex-marido Lucas Bove

Influenciadora era acusada de difamação e injúria pelo deputado estadual; decisão reconheceu liberdade de expressão em manifestações públicas

Lucas Bove enfrenta outros processos, incluindo descumprimento de medidas protetivas e investigações por violência doméstica e ameaças contra Cíntia - Imagem: Reprodução/Instagram e Reprodução/Alesp
Lucas Bove enfrenta outros processos, incluindo descumprimento de medidas protetivas e investigações por violência doméstica e ameaças contra Cíntia - Imagem: Reprodução/Instagram e Reprodução/Alesp

Letícia Sales Publicado em 15/05/2026, às 10h56


Cíntia Chagas foi absolvida das acusações de difamação e injúria feitas por seu ex-marido, o deputado Lucas Bove, com a juíza destacando que ambos são figuras públicas e que o relacionamento deles já era amplamente exposto na mídia.

A juíza considerou que as manifestações de Cíntia, incluindo a frase 'Não vamos apanhar caladas', estavam protegidas pela liberdade de expressão e tratavam de temas de interesse público, além de rejeitar o pedido de indenização de Bove.

A defesa de Bove não comentou a decisão, enquanto Cíntia expressou confiança na Justiça, ressaltando a importância de não silenciar mulheres. O deputado também enfrenta outros processos relacionados a descumprimento de medidas protetivas e violência doméstica, com um julgamento marcado para 6 de outubro.

A influenciadora digital Cíntia Chagas foi absolvida pela Justiça de São Paulo das acusações de difamação e injúria apresentadas pelo deputado estadual Lucas Bove, seu ex-marido. A decisão foi assinada nesta quinta-feira (14) pela juíza Elaine Cristina Pulcineli Vieira Gonçalves.

A ação havia sido protocolada por Bove em fevereiro deste ano. Na queixa-crime, o parlamentar alegava que Cíntia teria descumprido o segredo de Justiça e promovido uma campanha de “linchamento moral” contra ele nas redes sociais, causando prejuízos à sua imagem pública.

Ao analisar o caso, a magistrada destacou que ambos são figuras públicas e que o relacionamento entre eles já era amplamente exposto na mídia antes da separação.

“Voluntariamente, expuseram seu relacionamento e casamento na mídia”, escreveu a juíza, acrescentando que os desdobramentos do divórcio “não podem ser tratados como fatos comuns sem repercussão”.

Na sentença, Elaine Gonçalves também entendeu que manifestações feitas por Cíntia, como a frase “Não vamos apanhar caladas”, estavam protegidas pelo direito à liberdade de expressão e envolviam temas de interesse público.

A magistrada avaliou ainda que parte das publicações apresentadas pela defesa de Lucas Bove consistia apenas em repostagens de reportagens jornalísticas, relatos pessoais e manifestações de apoio a mulheres vítimas de violência.

Além da absolvição da influenciadora, a Justiça negou o pedido de indenização solicitado pelo deputado. O pedido feito pela defesa de Cíntia para reconhecimento de má-fé processual por parte de Bove também foi rejeitado.

Até o momento, a defesa do parlamentar não comentou oficialmente a decisão. O espaço segue aberto para manifestação.

Em nota, a advogada Gabriela Mansur, responsável pela defesa da influenciadora, afirmou que a absolvição foi recebida com tranquilidade.

“Seguimos confiando na Justiça e na importância de nunca permitir que mulheres sejam silenciadas pelo medo. Não podemos permitir que vítimas virem ré. A liberdade de expressão vale para as mulheres também”, declarou.

Lucas Bove também responde a outros processos envolvendo a ex-esposa. Em abril deste ano, ele se tornou réu por descumprimento de medidas protetivas concedidas a Cíntia Chagas. O parlamentar já era investigado por violência doméstica, ameaça, perseguição e violência psicológica.

Segundo decisão do juiz Felipe Pombo Rodriguez, o deputado teria cometido ao menos dez episódios de descumprimento das medidas impostas pela Justiça.

Na época, a defesa de Bove negou as acusações.

“As infundadas acusações formuladas por Cintia Maria Chagas são rejeitadas pela defesa. O parlamentar nunca praticou qualquer ilicitude, nunca a ameaçou ou a agrediu”, afirmou a nota divulgada pelos advogados do deputado.

O julgamento sobre o suposto descumprimento das medidas protetivas está marcado para o dia 6 de outubro deste ano, dois dias após o primeiro turno das eleições.


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