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Quem era Michele Leão Azevedo, capitã da PM morta em Belo Horizonte

Oficial tinha 41 anos, ingressou na Polícia Militar em 2010, investiu na formação acadêmica e atuava no Centro de Gestão Documental da corporação; o marido, também policial militar, está preso preventivamente sob suspeita de feminicídio.

Michele Leão Azevedo tinha 41 anos, era capitã da Polícia Militar de Minas Gerais e construiu uma carreira de aproximadamente 16 anos marcada pela atuação na segurança pública e pelo investimento na formação acadêmica - Imagem: Reprodução
Michele Leão Azevedo tinha 41 anos, era capitã da Polícia Militar de Minas Gerais e construiu uma carreira de aproximadamente 16 anos marcada pela atuação na segurança pública e pelo investimento na formação acadêmica - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Silva Publicado em 22/07/2026, às 17h14


A capitã da Polícia Militar de Minas Gerais, Michele Leão Azevedo, foi encontrada morta com sinais de violência, levando à prisão de seu marido, o sargento Eduardo Abner, que alegou que ela teria caído de uma escada. A morte gerou comoção na corporação e levantou questões sobre violência doméstica e feminicídio.

Michele, com uma carreira de 16 anos na PM, tinha formação acadêmica em Direitos Humanos e Docência, e sua família relatou um histórico de relacionamento abusivo com Eduardo, que já havia sido denunciado por ex-companheiras. A Polícia Militar não tinha registros de queixas formais contra ele por parte de Michele.

A investigação está em andamento, com a análise de evidências como objetos apreendidos e imagens de câmeras de segurança, enquanto a defesa de Eduardo pede cautela e respeito ao devido processo legal. Se condenado, ele poderá enfrentar consequências administrativas, incluindo a possível exclusão da corporação.

Antes de se tornar o centro de uma investigação criminal que causou comoção em Minas Gerais, Michele Leão Azevedo construiu uma trajetória de mais de uma década dedicada à Polícia Militar, à segurança pública, ao ensino e ao aperfeiçoamento profissional.

A capitã da Polícia Militar de Minas Gerais tinha 41 anos e iniciou sua formação na corporação em 2008. Após dois anos de preparação na Academia da PMMG, concluiu o Bacharelado em Ciências Militares e tornou-se oficial em 2010. Antes de seguir a carreira policial, também estudou nos Colégios Militares de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro.

Ao longo de aproximadamente 16 anos de atuação, Michele exerceu diferentes funções na Polícia Militar e acumulou experiência na área de defesa, com ênfase em segurança pública. Mais recentemente, trabalhava no Centro de Gestão Documental da PMMG, localizado no bairro Carlos Prates, na Região Noroeste de Belo Horizonte.

Formação acadêmica marcou a trajetória da capitã
A carreira de Michele não se limitou à atividade operacional. Em 2022, ela participou do curso de formação complementar de Multiplicador de Direitos Humanos, promovido pela própria Polícia Militar de Minas Gerais.

No ano seguinte, concluiu uma especialização em Docência no Ensino Superior pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais. Em seu trabalho de conclusão, a capitã pesquisou a importância do estudo da jurisprudência dos tribunais superiores para a atuação da Polícia Militar, analisando como decisões judiciais interferem na atividade policial.

A oficial também era mãe de um menino de 10 anos, fruto de um relacionamento anterior. Sua morte provocou comoção entre familiares, amigos e integrantes da corporação. Michele foi velada e sepultada nesta quarta-feira, 22 de julho, em Belo Horizonte.

Durante a despedida, a comandante-geral da PMMG, coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues, afirmou que a morte da capitã e os demais casos de violência contra mulheres atingem profundamente a corporação. A comandante também reforçou o compromisso da instituição no enfrentamento ao feminicídio.

Capitã foi levada morta ao hospital
Michele foi levada pelo marido, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, ao Hospital Metropolitano Odilon Behrens, na noite de segunda-feira, 20 de julho.

A oficial chegou à unidade de saúde sem sinais vitais e apresentava traumatismo craniano, hematomas e múltiplas lesões pelo corpo. Conforme informações registradas no boletim de ocorrência, os médicos estimaram que ela já estava morta havia entre quatro e seis horas quando foi levada ao hospital.

A equipe médica acionou a Polícia Militar após considerar que os ferimentos encontrados não pareciam compatíveis, inicialmente, com a versão de uma queda de escada apresentada pelo companheiro.

Eduardo foi preso em flagrante ainda no hospital. Nesta quarta-feira, a Justiça de Minas Gerais converteu a prisão em preventiva. O magistrado considerou a manutenção da medida necessária para a garantia da ordem pública. O processo tramita sob segredo de Justiça.

Objetos apreendidos são analisados pela polícia
Entre os elementos recolhidos durante a investigação está um cabo de madeira quebrado, encontrado no condomínio onde o casal vivia. Segundo o registro policial, o objeto poderá ser submetido a exames para verificar se foi utilizado nas agressões.

Os investigadores também encontraram roupas de cama molhadas dentro da máquina de lavar. A suspeita é de que o material tenha sido lavado antes da chegada da perícia. Além disso, foram identificadas marcas de sangue no corredor do condomínio.

No hospital, o sargento foi acompanhado por outro policial até o banheiro e teria descartado uma embalagem com comprimidos de ecstasy em uma lixeira. O material foi recuperado e apreendido. Imagens de câmeras de segurança também mostram o militar carregando Michele aparentemente desacordada até o carro antes de levá-la à unidade de saúde.

Os objetos, as imagens e os laudos periciais serão analisados para esclarecer a dinâmica e a causa da morte. Até a conclusão da investigação, esses elementos representam indícios e não uma decisão definitiva sobre a responsabilidade criminal do suspeito.

Versão do sargento é investigada
Em depoimento, Eduardo afirmou que o casal havia participado de uma festa, consumido bebidas alcoólicas e ecstasy e mantido relações sexuais consensuais que envolviam práticas de agressão física.

O sargento também declarou que Michele teria caído de uma escada por volta do meio-dia e sofrido ferimentos na cabeça e na boca. Segundo ele, a capitã teria recusado atendimento médico. Eduardo disse que prestou os primeiros socorros, deu banho na esposa e a colocou na cama, percebendo somente horas depois que ela não respondia aos estímulos.

A Polícia Civil investiga se essa versão é compatível com os ferimentos encontrados no corpo da oficial, com o intervalo entre a morte e a chegada ao hospital e com os demais vestígios recolhidos.

Família relatou relacionamento abusivo
A mãe de Michele declarou à polícia que a filha vivia um relacionamento abusivo, marcado por controle, humilhações, manipulação emocional, términos e reconciliações. Segundo familiares, a capitã teria tentado encerrar a relação, mas o companheiro não aceitava a separação.

A Polícia Militar informou, no entanto, que Michele nunca havia registrado boletim de ocorrência ou formalizado denúncia de ameaça ou violência contra o sargento. A corporação afirmou que tomou conhecimento dos relatos da família somente após o início das diligências.

O porta-voz da PMMG, capitão Rafael Veríssimo, reforçou que episódios de violência doméstica devem ser comunicados às autoridades mesmo quando os envolvidos são policiais. Segundo ele, denúncias podem antecipar a atuação do Estado e evitar novos crimes.

Sargento já havia sido denunciado por ex-companheiras
Eduardo Abner já havia sido denunciado por ex-namoradas em ocorrências relacionadas a ameaças e agressões. Os registros citados pelas reportagens ocorreram em 2014 e 2016. Em um dos casos, uma ex-companheira conseguiu medida protetiva, que teria sido desrespeitada pelo policial.

O sargento também chegou a ser exonerado durante o curso de formação da PM. Segundo o processo, ele teria omitido, no formulário de ingresso, uma apreensão por porte ilegal de arma de fogo ocorrida quando era adolescente.

A exoneração foi posteriormente anulada pela Justiça, que determinou a reintegração do militar. Ele retornou aos quadros da corporação em 2015.

A Polícia Militar afirmou que, caso o sargento seja condenado, o crime também poderá gerar consequências administrativas, incluindo sua exclusão definitiva da corporação.

Defesa pede cautela
A defesa de Eduardo Abner informou que acompanha a investigação e pediu que os laudos e as diligências sejam concluídos antes de qualquer julgamento. Os advogados também afirmaram que adotarão as medidas judiciais cabíveis contra a conversão da prisão em preventiva e defenderam o respeito à presunção de inocência e ao devido processo legal.

A investigação prossegue para determinar como Michele morreu, quando ocorreram as lesões e qual foi a participação do sargento. Até que haja uma decisão judicial definitiva, Eduardo deve ser tratado como suspeito.


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