Diário de São Paulo
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Suspeita de lavagem

Delegada é investigada por suposta compra de padaria para lavar dinheiro do PCC

Layla Lima Ayub e o namorado foram presos em operação que apura vínculo com o crime organizado; negócio na zona leste de SP é alvo da investigação

Layla Lima Ayub, recém-empossada, é acusada de usar padaria como fachada para movimentar recursos do PCC - Imagem: Reprodução/rede social
Layla Lima Ayub, recém-empossada, é acusada de usar padaria como fachada para movimentar recursos do PCC - Imagem: Reprodução/rede social

Letícia Sales Publicado em 18/01/2026, às 14h16


A Corregedoria da Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo investigam se a delegada Layla Lima Ayub utilizou a compra de uma padaria na zona leste da capital paulista para lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Layla e o namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, foram presos na última sexta-feira (16/1) durante a Operação Serpens, que apura a atuação de agentes públicos em benefício da facção criminosa.

Segundo investigadores, o estabelecimento fica no Jardim Itapemirim e teria sido adquirido por R$ 40 mil. O contrato de compra foi apreendido e passou a integrar o inquérito, que busca identificar a origem dos recursos usados no negócio. A suspeita é de que a padaria tenha sido utilizada como fachada para ocultar e movimentar dinheiro do crime organizado.

De acordo com uma autoridade envolvida na apuração, Dedel seria integrante do PCC e teria papel estratégico na expansão da facção no estado do Pará. A relação dele com Layla é apontada como um dos principais elos entre a delegada e a organização criminosa.

Layla Lima Ayub tomou posse como delegada no dia 19 de dezembro, após atuar por anos como advogada criminalista. Antes de ingressar na Polícia Civil, ela defendia investigados e réus acusados de integrar organizações criminosas. A investigação apura se, em alguns casos, a relação com clientes ultrapassava os limites da advocacia.

Um dos episódios que reforçaram as suspeitas ocorreu em 28 de dezembro, quando Layla, já investida no cargo de delegada, teria atuado como advogada na audiência de custódia de quatro supostos integrantes do Comando Vermelho (CV), o que é vedado pela legislação.

A Polícia Civil e o Ministério Público seguem analisando documentos, movimentações financeiras e comunicações apreendidas durante a operação. O caso pode resultar em novas prisões e no aprofundamento das investigações sobre a infiltração do crime organizado em instituições públicas.


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