Recém-empossada, policial confessou atuação em audiência de custódia e mantinha relação com homem apontado como líder do crime organizado

Letícia Sales Publicado em 17/01/2026, às 19h31
A delegada Layla Lima Ayub, presa na sexta-feira (16/1) sob suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), afirmou em depoimento à Corregedoria da Polícia Civil que cometeu um “erro” ao advogar para supostos integrantes do Comando Vermelho (CV) em uma audiência de custódia no fim do ano passado. A atuação ocorreu poucos dias após sua posse no cargo e foi um dos principais fundamentos para o pedido de prisão.
Além do episódio, a investigação aponta que a delegada mantinha um relacionamento com Jardel Neto Pereira da Cruz, de 29 anos, conhecido como Dedel, apontado pela polícia como um dos líderes do PCC na região Norte do país. Ele também foi preso na mesma operação. As autoridades ainda não detalharam de que forma Layla teria atuado em favor da organização criminosa.
O depoimento foi prestado poucas horas após a prisão. O inquérito tramita sob segredo de Justiça, mas fontes ligadas à apuração afirmam que a delegada disse ter conhecimento do envolvimento do companheiro com o PCC.
Layla relatou ainda que foi casada duas vezes antes do atual relacionamento. Após a morte do primeiro marido, conheceu um policial militar que posteriormente se tornou delegado e a incentivou a prestar concurso. Antes de ser aprovada, ela conheceu Jardel, com quem iniciou o relacionamento.
A delegada tomou posse em 19 de dezembro de 2025 e passou a frequentar a Academia de Polícia (Acadepol). No dia da formatura, levou o companheiro, que estaria em liberdade condicional, para o evento, o que foi classificado pelas autoridades como uma atitude “audaciosa”, já que ele descumpria medidas impostas pela Justiça.
No dia 28 de dezembro, mesmo já investida no cargo, Layla atuou como advogada de quatro presos ligados ao Comando Vermelho durante uma audiência de custódia no Pará. Os detentos respondiam por tráfico de drogas e associação criminosa.
O caso segue em investigação e pode resultar em sanções administrativas e criminais contra a delegada.
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