Diário de São Paulo
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CRIME ORGANIZADO

Comando Vermelho expande domínio e desafia rivais em todo o território nacional, diz Abin

Relatório da inteligência brasileira aponta que o grupo se expandiu além do Rio, e atua em disputas territoriais de Norte a Sul do país

Facção amplia presença em diversos estados acende alerta nacional - Imagem: Junio Matos
Facção amplia presença em diversos estados acende alerta nacional - Imagem: Junio Matos

Lívia Gennari Publicado em 08/11/2025, às 15h12


Segundo um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o Comando Vermelho (CV) está envolvido em todos os principais confrontos entre facções criminosas no Brasil. O documento foi apresentado durante uma reunião no Senado Federal que discutiu o crescimento do crime organizado e a interiorização das disputas por território no país.

De acordo com o coordenador-geral de Análise de Conjuntura da Abin, Pedro Mesquita, o grupo criminoso, que surgiu nas prisões do Rio de Janeiro nos anos 1980, expandiu significativamente suas operações na última década. Hoje, o CV mantém presença consolidada em todas as regiões do Brasil, o que reforça sua posição como uma das principais organizações criminosas do país.

O levantamento da Abin mostra que o Comando Vermelho se aproveitou da expansão internacional do Primeiro Comando da Capital (PCC) para fortalecer suas próprias redes de atuação. Segundo o órgão, o CV tem firmado alianças locais e oferecido apoio logístico, armamento e estrutura de distribuição de drogas a grupos menores, o que ampliou sua influência sobre rotas do narcotráfico e áreas estratégicas.

O estudo também aponta o crescimento do Terceiro Comando Puro (TCP), tradicional rival do CV no Rio de Janeiro. A facção, que antes concentrava suas ações no estado, passou a atuar em escala nacional, com registros de presença em estados como Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Ceará, Amapá, Acre, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Megaoperação no Rio expôs avanço do CV no país

A expansão do Comando Vermelho ficou evidente na megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, que ficou conhecida como a mais letal da história do estado.

A ação, que buscava desarticular o núcleo central da facção, terminou com 121 mortos, segundo balanço da Polícia Civil. Mais da metade dos mortos eram traficantes de fora do Rio, o que, segundo as autoridades, revela a presença crescente de criminosos de outros estados nas comunidades cariocas, apontadas como redutos do CV.

Entre as vítimas, estavam integrantes considerados chefes da facção em diversas regiões do país. O levantamento da polícia indica a origem dos mortos: Pará (17), Bahia (12), Amazonas (10), Goiás (7), Ceará (4), Espírito Santo (3), Paraíba (2), São Paulo (1), Mato Grosso (1), Maranhão (1) e Distrito Federal (1).

Para a Abin, o avanço simultâneo dessas duas facções é motivo de alerta. A agência observa que o modelo de confronto armado e disputa territorial que marcou o cenário carioca nas últimas décadas começa a se reproduzir em outras regiões do país, elevando o risco de escalada da violência e ampliando o poder do crime organizado em novas fronteiras.


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