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Apontada como “serial killer”, gêmea acusada de envenenar quatro pessoas é transferida para Tremembé

Ministério Público confirma transferência; investigação atribui à estudante uma série de mortes por envenenamento

Ana Paula Fernandes, apontada pelo MP como “serial killer” - Imagem: Reprodução | TJSP
Ana Paula Fernandes, apontada pelo MP como “serial killer” - Imagem: Reprodução | TJSP

Lívia Gennari Publicado em 14/11/2025, às 09h48


A Penitenciária Feminina II de Tremembé, no interior de São Paulo, passou a abrigar uma das detentas mais controversas do sistema prisional paulista. Ana Paula Fernandes, 36 anos, universitária de Direito e uma das gêmeas investigadas por uma série de envenenamentos fatais, foi transferida discretamente da capital para a unidade no último dia 21 de outubro. A mudança só veio à tona nesta quinta-feira (13), após confirmação do Ministério Público.

Antes de seguir para Tremembé, Ana Paula cumpria prisão preventiva na Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte. O MP não detalhou o motivo oficial. A irmã gêmea, Roberta, permanece em Santana.

Quem são as vítimas

As gêmeas foram presas entre julho e agosto deste ano, acusadas de envenenar e matar quatro pessoas: Marcelo Hari Fonseca e Maria Aparecida Rodrigues, ambos moradores de Guarulhos; Neil Corrêa da Silva, em Duque de Caxias (RJ); e Hayder Mhazres, na capital paulista. Segundo a investigação, as mortes ocorreram após as vítimas consumirem alimentos ou bebidas supostamente adulterados.

O caso ganhou novos contornos em outubro, quando Michelle Paiva da Silva, 43 anos, filha de Neil, foi detida sob suspeita de ter pago R$ 4 mil às gêmeas para matar o pai. Ela segue presa temporariamente no 1º Distrito Policial de Guarulhos e ainda não foi denunciada pelo Ministério Público.

Em depoimento, Ana Paula admitiu participação em duas das mortes, mas negou envolvimento nos outros crimes. Roberta sustenta ser inocente. Michelle ainda não prestou esclarecimentos formais à polícia.

Cães envenenados

Para o Ministério Público, as irmãs demonstram frieza e padrão repetitivo nas ações, sendo classificadas pelo órgão como “verdadeiras serial killers”. Exames periciais ainda buscam identificar qual substância teria sido usada nos envenenamentos. Na casa onde as gêmeas viviam, investigadores encontraram frascos de “chumbinho”, veneno de uso proibido amplamente associado a intoxicações.

A polícia também apura o suposto envolvimento de Ana Paula na morte de pelo menos 14 cães, sendo dez filhotes pertencentes à própria irmã e outros quatro ao ex-marido da universitária. A suspeita partiu de uma confissão feita por ela durante as investigações.

O Núcleo de Análise Comportamental e Criminal (NACC), vinculado ao DHPP, prepara um relatório detalhado sobre o comportamento das irmãs e possíveis padrões que possam auxiliar na compreensão da extensão dos crimes atribuídos às gêmeas.


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