Reservatórios da Grande São Paulo estão com apenas 38,4% da capacidade; apesar da crise hídrica, a Sabesp afirma que a segurança hídrica atual é melhor do que em 2014

William Oliveira Publicado em 26/08/2025, às 08h49
O mês de agosto, tradicionalmente marcado pela baixa pluviosidade, apresentou em 2025 uma situação alarmante. Dados do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura de São Paulo revelam que, até a última semana do mês, choveu apenas 8% do volume esperado.
A escassez impacta diretamente os reservatórios que abastecem a Grande São Paulo, hoje com apenas 38,4% da capacidade útil. O cenário é o mais preocupante desde a crise hídrica de 2014, quando os índices chegaram a 12,7% e, no ano seguinte, a 9,6%. Naquela época, o Sistema Cantareira chegou a operar em "volume morto", obrigando a população a conviver com racionamentos por quase 20 meses.
Diante da estiagem atual, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) anunciou a redução da pressão da rede de abastecimento durante as madrugadas, medida que entra em vigor nesta quarta-feira (27). O objetivo é diminuir a retirada de água dos mananciais.
Segundo Thiago Mesquita Nunes, diretor-presidente da Arsesp, a estratégia pode gerar uma economia de até 4 mil litros por segundo ao longo de oito horas.
"As chuvas estão muito abaixo da média. Seria necessário reduzir a captação de água das represas. Essa é uma medida eficiente, capaz de diminuir em até 4 mil litros por segundo a retirada de água, com menor impacto ao usuário, já que ocorre no período de menor consumo", explicou.
A Arsesp informou ainda que vai monitorar os pontos mais altos e afastados da rede para evitar que a pressão fique abaixo do limite estipulado.
Plano de contingência e conscientização
O governo estadual também solicitou à Sabesp um plano de contingência para a região metropolitana e uma campanha de conscientização sobre o uso racional da água.
De acordo com Samanta Souza, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Sabesp, os clientes serão avisados dos horários de redução. "Quem tem caixa d’água nem vai perceber a operação noturna. Quem não tem e mora em regiões mais altas pode sentir a redução. É importante que todos façam a adequação", destacou.
Ela afirmou ainda que consumidores que relatarem falta d’água deverão preencher um formulário com informações sobre número de moradores e presença de reservatório no imóvel.
Segurança hídrica
Apesar da queda nos níveis, a Sabesp afirma que a segurança hídrica hoje é maior do que em 2014. Entre as melhorias, estão a interligação do Rio Paraíba do Sul ao sistema e a inauguração do Sistema São Lourenço em 2018.
A companhia reforça o apelo para que a população adote práticas de economia de água e registre eventuais reclamações nos canais oficiais.
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