MDHC destaca a urgência de responsabilização e formação contínua em direitos humanos para combater o racismo na polícia

William Oliveira Publicado em 10/07/2025, às 09h03
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) divulgou um comunicado nesta quarta-feira (9), enfatizando a necessidade de uma investigação minuciosa sobre o assassinato do marceneiro Guilherme Dias Santos Ferreira, jovem negro morto na última sexta-feira (4) na Zona Sul de São Paulo.
Guilherme foi atingido por um disparo na cabeça feito pelo policial militar Fábio Anderson Pereira de Almeida, quando corria para pegar um ônibus após o expediente, no bairro de Parelheiros.
O MDHC afirmou que é imprescindível garantir uma apuração rápida, rigorosa e transparente, com responsabilização imediata dos envolvidos. “A justiça para Guilherme Dias e sua família é um passo fundamental para a construção de uma sociedade mais justa, onde a cor da pele não defina o risco de morte”, declarou o órgão.
A pasta também expressou solidariedade à família e reforçou a urgência de implementar uma educação antirracista nas forças de segurança pública, como forma de combater o racismo institucional. “[Há] a necessidade inadiável da adoção de uma formação contínua em direitos humanos pelos órgãos policiais. Essa formação deve incluir uma educação antirracista, combatendo o racismo institucional que, infelizmente, ainda permeia nossas estruturas de segurança pública e se manifesta em ações violentas e discriminatórias”, destacou.
Segundo o boletim de ocorrência registrado pelo policial, ele alegou ter confundido Guilherme com um assaltante. Fábio Anderson foi preso em flagrante por homicídio culposo, mas liberado após o pagamento de fiança no valor de R$ 6,5 mil. Atualmente, está afastado do serviço operacional.
Durante o incidente, uma mulher que aguardava no ponto de ônibus também foi ferida, mas sem gravidade. A defesa do agente não se manifestou publicamente e aguarda o andamento das investigações.
Em declaração feita na segunda-feira (7), o coronel Emerson Massera, chefe da comunicação da Polícia Militar, reconheceu que houve um “erro de avaliação” por parte do policial envolvido.
O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou estar investindo na qualificação das forças policiais e atualizando protocolos operacionais. Segundo a pasta, os agentes recebem formação em direitos humanos, incluindo temas como racismo e violência de gênero, e participam do grupo de trabalho “Movimento Antirracista – Segurança do Futuro”, em parceria com a Universidade Zumbi dos Palmares.
Quem era Guilherme Dias?
Guilherme havia completado 26 anos no final de junho. Em entrevista, familiares relataram que ele era uma pessoa tranquila, dedicada ao trabalho e à família. Trabalhava como marceneiro há quase três anos e mantinha uma rotina regrada, dividida entre casa, trabalho e igreja.
Segundo sua esposa, Sthephanie dos Santos Ferreira Dias, Guilherme havia voltado ao trabalho dois dias antes do crime, após um período de férias. Na noite do ocorrido, ele havia enviado uma mensagem avisando que já estava a caminho de casa.
A família o descreveu como alguém carinhoso e muito presente. Ele estava organizando uma festa para celebrar os 70 anos da avó e ainda lidava com o luto recente pela morte de um primo. O velório, realizado no domingo (6), reuniu amigos, parentes e membros da comunidade.
Sthephanie, inconformada, afirmou que a ação do policial reflete o racismo estrutural: “Só porque é um jovem negro, preto e estava correndo para pegar o ônibus, [ele] atirou. O que é isso? Que mundo é esse? Era o único jovem preto que estava no meio [do ponto] e foi atingido. A gente quer esse policial na cadeia, ele tem que pagar. Está solto, pagou a fiança que, para ele, não é nada”
Guilherme e a esposa planejavam ter filhos e celebrar o segundo aniversário de casamento em agosto. Ele também se preparava para iniciar aulas práticas de direção.
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