Fraudes em atendimentos e laudos teriam causado prejuízo de até R$ 60 milhões a planos de saúde

Letícia Sales Publicado em 30/04/2026, às 14h38
Uma operação da Polícia Civil desmantelou um esquema de fraudes em clínicas que atendem crianças com Transtorno do Espectro Autista, resultando em um prejuízo estimado de R$ 60 milhões aos planos de saúde.
O grupo criminoso simulava atendimentos e produzia laudos falsos para forçar operadoras a custear procedimentos inexistentes, impactando negativamente o sistema de saúde suplementar.
A 'Operação Descredenciamento' cumpriu 12 mandados de busca em São Paulo, com a participação de 40 policiais, e as investigações continuam para identificar todos os envolvidos, enquanto a Associação Brasileira de Planos de Saúde pede rigor na apuração dos fatos.
Uma operação da Polícia Civil revelou um esquema de fraudes envolvendo clínicas que atendem crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), com prejuízo estimado em até R$ 60 milhões aos planos de saúde. A ação foi realizada nesta quinta-feira (30) pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais.
De acordo com as investigações, o grupo suspeito simulava atendimentos médicos, produzia laudos falsos e ingressava com ações judiciais para obrigar operadoras a custear procedimentos inexistentes ou com valores inflados. A prática, segundo a polícia, sustentava financeiramente o esquema e causava impactos significativos ao sistema de saúde suplementar.
Mandados e investigação
Batizada de “Operação Descredenciamento”, a ação cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo e na região metropolitana. A operação foi conduzida pela 2ª Delegacia da Divisão de Investigações Gerais (DIG), especializada em crimes de estelionato e contra a fé pública.
Cerca de 40 policiais civis participaram da ofensiva, com o apoio de 17 viaturas. As investigações seguem em andamento, e o material apreendido deve auxiliar na identificação de todos os envolvidos.
Impacto nas famílias
Além dos prejuízos financeiros, as autoridades destacaram a gravidade do caso por envolver crianças e suas famílias. Segundo a Polícia Civil, os pacientes teriam sido submetidos a diagnósticos falsos e intervenções terapêuticas inadequadas, “em afronta a princípios fundamentais de proteção e boa-fé”.
Posicionamento do setor
Em nota, a Associação Brasileira de Planos de Saúde informou que acompanha a operação e defendeu rigor na apuração. A entidade declarou que “defende a apuração rigorosa dos fatos e o fortalecimento de mecanismos de controle e prevenção, como forma de proteger os beneficiários e garantir que os recursos da saúde sejam aplicados corretamente”.
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