Além de cavalos, cães e bovinos também foram afetados pela mesma substância tóxica encontrada na ração da Nutratta

William Oliveira Publicado em 02/07/2025, às 08h00
Nove equinos da chácara Dia de Sol, situada na zona rural de Guarulhos, na Grande São Paulo, morreram nos últimos dois meses após consumirem ração fabricada pela empresa Nutratta Nutrição Animal Ltda. As duas mortes mais recentes ocorreram na última terça-feira (1º), conforme relatado pelo criador e comerciante Marcos Barbosa, em entrevista ao g1.
Barbosa descreveu um cenário desesperador: “Um cavalo passou a noite girando em círculos dentro da baia, enquanto uma égua tentava morder a parede. Todos os animais apresentaram comportamentos semelhantes, como se estivessem em estado de demência.”
Em resposta a dezenas de relatos semelhantes, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) proibiu, no dia 25 de agosto, a comercialização de todos os produtos da Nutratta fabricados a partir de novembro de 2024. A decisão veio após a confirmação da presença de substâncias tóxicas nas rações destinadas a cavalos.
A medida foi baseada em exames clínicos, necropsias e análises laboratoriais colhidas em diversas regiões do país, diante de um aumento alarmante nos casos de intoxicação e morte animal desde abril deste ano.
“Proibição chegou tarde”, diz criador
O primeiro óbito na chácara de Barbosa ocorreu em 16 de maio. Dias depois, ele começou a receber relatos de amigos enfrentando o mesmo drama. Embora tenha suspendido o uso da ração imediatamente, cerca de 30 animais já haviam sido alimentados com o produto contaminado.
Criador de cavalos da raça Mangalarga Marchador há cinco anos, Barbosa jamais havia testemunhado algo semelhante. Os sintomas, segundo ele, surgiam dias ou até semanas após a alimentação e incluíam:
Após as primeiras mortes em maio, um representante da Nutratta visitou a propriedade e reconheceu a responsabilidade, prometendo providências. Na ocasião, 110 sacos da ração foram apreendidos.
Barbosa solicitou à empresa o envio de veterinários para examinar os animais sobreviventes, mas não recebeu resposta. Ele recorreu, então, a tratamentos de desintoxicação custando cerca de R$ 200 por animal por dia, acumulando um prejuízo estimado em R$ 700 mil.
Toxina letal
O Ministério da Agricultura identificou a presença de monocrotalina, substância tóxica encontrada em plantas do gênero Crotalaria, como a causa das mortes. Essa toxina é hepatotóxica e neurotóxica, podendo ser letal para diversas espécies animais.
Segundo o g1, 645 mortes de animais foram registradas em pelo menos seis estados brasileiros: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Alagoas. Em São Paulo, especificamente, 287 cavalos morreram
Os primeiros casos de intoxicação ocorreram em 21 de abril, no estado do Rio de Janeiro, espalhando-se rapidamente para São Paulo. Os animais afetados aparentavam estar saudáveis antes do surgimento repentino de sintomas neurológicos graves.
Além de equinos, há relatos de mortes de cães e bovinos relacionados ao mesmo problema.
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