Diário de São Paulo
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Mendonça pede parecer da PGR sobre prisão de Daniel Vorcaro após nova negativa à delação

Polícia Federal rejeita segunda proposta de colaboração do ex-banqueiro, recomenda fim da cela especial e amplia pressão sobre um dos principais investigados da Operação Compliance Zero.

Mendonça aguarda parecer da PGR após a PF rejeitar a segunda proposta de delação de Vorcaro e recomendar o fim da cela especial - Imagem: Reprodução
Mendonça aguarda parecer da PGR após a PF rejeitar a segunda proposta de delação de Vorcaro e recomendar o fim da cela especial - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 12/06/2026, às 20h38


O ministro André Mendonça, do STF, pediu um parecer da PGR sobre a situação prisional de Daniel Vorcaro, após a PF rejeitar sua segunda proposta de delação premiada e recomendar sua transferência para o sistema penitenciário comum.

A PF avaliou que a nova proposta de colaboração não trouxe informações novas e não atendeu aos requisitos necessários, além de não abordar aspectos centrais da investigação sobre irregularidades no Banco Master.

Com a negativa da proposta, a decisão sobre a permanência de Vorcaro em cela especial ou seu retorno ao sistema comum agora depende da manifestação da PGR e da decisão do ministro Mendonça, que relatará os processos da Operação Compliance Zero.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou nesta sexta-feira, 12, um parecer da Procuradoria Geral da República (PGR) sobre a situação prisional do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A medida ocorre após a Polícia Federal (PF) rejeitar a segunda proposta de acordo de delação premiada apresentada pela defesa e recomendar a retirada do investigado da cela especial em que está custodiado.

Vorcaro foi transferido para as dependências da Superintendência da Polícia Federal em Brasília justamente para facilitar as negociações envolvendo uma eventual colaboração premiada. Segundo investigadores, no entanto, a nova proposta não apresentou informações inéditas nem alcançou a dimensão das supostas irregularidades que as autoridades acreditam que o ex-banqueiro conhece.

De acordo com apurações, a avaliação da PF é de que a colaboração oferecida não trouxe elementos capazes de abrir novas frentes relevantes de investigação, além de deixar de abordar aspectos considerados centrais do caso. A postura do investigado também teria sido interpretada como insuficiente para os requisitos exigidos em acordos dessa natureza.

Com a rejeição da segunda proposta, investigadores recomendaram que Daniel Vorcaro deixe a acomodação especial e retorne ao sistema penitenciário comum do Distrito Federal. A palavra final, contudo, dependerá da manifestação da PGR e da decisão do ministro André Mendonça, relator dos processos ligados à Operação Compliance Zero no STF.

Entre os pontos que teriam sido apresentados no documento rejeitado estaria a alegação de um suposto repasse de US$ 30 milhões ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, informação divulgada pela revista Veja. Até o momento, não há confirmação oficial de que essa narrativa tenha sido aceita como elemento válido de colaboração pelas autoridades, e a proposta acabou recusada pelos investigadores.

Daniel Vorcaro é um dos principais alvos da Operação Compliance Zero, investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de gestão fraudulenta, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e outros possíveis crimes relacionados ao Banco Master e a operações financeiras sob investigação. Desde março deste ano, ele está preso preventivamente por decisão do STF.

Nos bastidores, a nova negativa é vista como um revés para a estratégia da defesa, já que acordos de colaboração costumam influenciar pedidos de benefícios processuais. Com o pedido de parecer encaminhado à PGR, a expectativa é de que os próximos dias sejam decisivos para definir se Vorcaro permanecerá em condições especiais de custódia ou retornará ao sistema prisional comum.


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