Jovem procurou atendimento por dores abdominais e paralisia facial e recebeu orientações que incluíam terapia, exercícios físicos e participação em atividades religiosas

Redação Publicado em 12/06/2026, às 14h24
A conduta de um médico da rede pública de Piracicaba passou a ser analisada após ele recomendar a frequência à igreja em uma receita médica entregue a um paciente de 22 anos. O documento foi divulgado nas redes sociais na última quarta-feira (10).
O jovem procurou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Sônia relatando dores abdominais, dores de cabeça, desconforto no ouvido e episódios de paralisia facial. Segundo ele, os sintomas persistem há mais de um mês e ainda não possuem diagnóstico conclusivo.
Na receita emitida pelo profissional, além da indicação de fluoxetina, medicamento utilizado no tratamento de transtornos como ansiedade e depressão, foram listadas orientações como manter uma alimentação adequada, praticar exercícios físicos, cuidar de si, realizar terapia e frequentar a igreja. O documento também trazia a observação de que a medicação deveria ser utilizada apenas caso todas as recomendações fossem seguidas.
Em relato, o paciente afirma que o médico associou os sintomas a um possível quadro de ansiedade e depressão, apesar de ele não possuir histórico dessas condições. O jovem também disse que não abordou questões religiosas durante o atendimento e que não houve qualquer solicitação para receber orientações relacionadas à fé.
Segundo o jovem, ele havia procurado a unidade pela primeira vez no domingo (7), quando foi atendido por outra profissional. Na ocasião, recebeu medicação para controle da dor e foi orientado a retornar no dia seguinte após a identificação de uma alteração renal em exames realizados. Ao retornar à UPA na segunda-feira (8), foi atendido pelo médico responsável pela receita. O paciente afirma que tentou esclarecer dúvidas sobre a alteração apontada nos exames, mas que o assunto não teria sido aprofundado durante a consulta.
O que diz a Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Piracicaba informou que o caso será submetido a análise administrativa para verificar a conduta adotada pelo profissional. A administração municipal ressaltou que o paciente recebeu atendimento médico completo e que as recomendações presentes na receita não substituíram a assistência clínica prestada.
A Secretaria Municipal de Saúde explicou ainda que a menção à participação em atividades religiosas teve caráter complementar, com a finalidade de incentivar hábitos considerados benéficos ao bem-estar emocional e à manutenção de vínculos sociais e comunitários, respeitando as convicções individuais de cada paciente.
Por fim, a pasta destacou que a rede municipal de saúde segue princípios de ética profissional, respeito à autonomia dos pacientes, liberdade de crença e laicidade do serviço público, acrescentando que não admite qualquer forma de imposição religiosa durante os atendimentos.
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