A implementação da faixa azul em São Paulo resultou em uma queda significativa de 47,2% nas fatalidades entre motociclistas em 2024

William Oliveira Publicado em 29/07/2025, às 09h05 - Atualizado às 09h13
A implementação da faixa azul em São Paulo — sinalização viária dedicada exclusivamente às motocicletas — tem apresentado resultados expressivos na redução das fatalidades entre motociclistas. Segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), houve uma queda de 47,2% nas mortes nos trechos com essa medida, com os óbitos diminuindo de 36 em 2023 para 19 em 2024.
A primeira faixa azul foi inaugurada na Avenida 23 de Maio em 2022. Desde então, a cidade expandiu o projeto e já soma 232,7 km de motofaixas distribuídas por 46 vias, beneficiando aproximadamente 500 mil motociclistas que circulam diariamente pela capital.
O governo federal avalia tornar obrigatória a faixa azul para motocicletas a partir de abril do próximo ano. A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) acompanha o desempenho da iniciativa por meio de relatórios trimestrais enviados pelas cidades participantes.
Inspirado por experiências internacionais e fundamentado nos princípios da Visão Zero e do Sistema Seguro — que tratam cada morte no trânsito como evitável — o projeto busca reestruturar as vias urbanas, aumentar a previsibilidade do tráfego e reduzir os conflitos entre motocicletas e outros veículos.
Além de São Paulo, municípios da Grande São Paulo também aderiram à medida. Em Santo André, por exemplo, a faixa azul foi implantada na Avenida Prestes Maia em 2024. Em um ano, o número de motocicletas circulando saltou de 7.200 para 10.200 por dia, enquanto as fatalidades caíram de três para uma.
São Bernardo do Campo também se destacou com a implantação de 9,2 km de motofaixas em avenidas movimentadas, como as Avenidas Lions e 31 de Março. Desde o início do programa em março de 2025, já há indícios de redução nos acidentes fatais envolvendo motociclistas, segundo a prefeitura.
Regulamentação em andamento
Atualmente, a faixa azul ainda não é regulamentada pelo Código de Trânsito Brasileiro. As iniciativas em curso são classificadas como experimentais e autorizadas pela Senatran, conforme resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). A regulamentação oficial está prevista para 2026, após a avaliação dos resultados obtidos neste período de testes.
Os municípios autorizados pela Senatran para implementar a sinalização experimental são:
* A capital pernambucana recebeu autorização, mas ainda avalia quais vias serão utilizadas para a instalação.
A proposta para criação das motofaixas parte dos próprios municípios, que submetem o projeto à análise da Senatran. Caso esteja alinhado às normas do Contran, a iniciativa é aprovada.
Diante do sucesso observado, outras cidades como Recife, Belo Horizonte e o Distrito Federal também estudam adotar a faixa azul.
Durante a Semana Nacional de Prevenção de Acidentes com Motociclistas, iniciada neste domingo (27), o Detran-SP promove ações educativas e atividades de fiscalização em todo o estado.
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