Investigado por tráfico internacional de drogas, dirigente deixou a prisão após decisão baseada em laudos médicos

Letícia Sales Publicado em 13/01/2026, às 09h46
O ex-presidente da escola de samba Império de Casa Verde, Alexandre Constantino Furtado, conhecido como Teta, passou a cumprir prisão domiciliar após decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Preso há cerca de três meses por suspeita de envolvimento com tráfico internacional de drogas, ele deixou o sistema prisional no fim de dezembro e passou a usar tornozeleira eletrônica enquanto aguarda o andamento do processo.
A decisão foi assinada pelo desembargador federal Wilson Alves de Souza, que acolheu um pedido da defesa fundamentado em novos laudos médicos. Segundo os documentos apresentados, Teta sofre de doença arterial coronariana avançada e teria enfrentado um infarto agudo do miocárdio pouco antes de ser preso, o que, na avaliação do magistrado, representa risco concreto à sua integridade física caso permanecesse detido.
Na decisão, o desembargador destacou que as informações médicas não haviam sido analisadas em pedidos anteriores e configuram fato novo relevante para a reavaliação da medida cautelar. Para o tribunal, a prisão domiciliar atende às finalidades legais do processo sem expor o investigado a riscos graves de saúde.
Alexandre Constantino Furtado foi preso no âmbito da Operação Vila do Conde, conduzida pela Polícia Federal, que investiga um esquema de exportação de drogas ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo os investigadores, ele ocuparia a segunda posição na hierarquia do grupo criminoso e participaria diretamente das decisões estratégicas do esquema.
De acordo com a PF, Teta integrava um núcleo responsável pelo fornecimento de entorpecentes e pela gestão financeira da organização, mantendo contato com outros investigados por meio de plataformas de mensagens criptografadas. As apurações também apontam indícios de que contas bancárias da escola de samba teriam sido usadas para operações de lavagem de dinheiro.
Um pedido semelhante de prisão domiciliar já havia sido negado em outubro do ano passado pela Justiça Federal de primeira instância, que à época considerou a gravidade dos crimes investigados e o modo de atuação do grupo.
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