Votação deve ocorrer nesta semana; oposição busca adiar votação com mobilização regimental

Marina Roveda Publicado em 05/12/2023, às 07h31
Na tarde da última segunda-feira (04), a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) foi palco de intensos debates sobre a privatização da Sabesp, uma das maiores empresas de saneamento do mundo. Com previsão de seis horas de discussão, a oposição se mobilizou para utilizar todos os recursos regimentais na tentativa de adiar a votação.
A dinâmica das sessões, cada uma com duração mínima de 2 horas e meia, resultou em duas reuniões na segunda-feira, a segunda delas se estendendo até as 21h30. O presidente da Alesp, André do Prado (PL), convocou sessões extraordinárias para a terça-feira (5), a partir das 19h, indicando que a votação pode ocorrer entre esta terça (05) e quarta-feira (06) após o encerramento das discussões.
O deputado Paulo Fiorilo (PT) foi o primeiro a se pronunciar, destacando a falta de informações claras no projeto apresentado pelo governador Tarcísio de Freitas(Republicanos). Fiorilo argumentou que não há clareza sobre a quantidade de ações a serem vendidas e que o valor total da empresa não foi divulgado. Além disso, ressaltou que a privatização não estava no plano de governo registrado no TRE, apesar das alegações do governador sobre o cumprimento de promessas de campanha.
Antes das sessões, deputados que apoiam Tarcísio participaram de uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, indicando esforços para alinhar posições dentro da base governista, que tem expressado demandas por uma postura mais alinhada à direita e ao bolsonarismo por parte do governador.
Surpreendentemente, alguns deputados do PL, partido da base aliada do governo, ao retornarem à Alesp, adotaram a estratégia da oposição, prolongando o debate sobre a Sabesp e, consequentemente, atrasando o andamento do projeto na Casa.
Ao término dos debates, manifestantes presentes nas galerias do plenário gritavam "Não, não, não à privatização", refletindo a resistência popular contra a proposta.
A privatização da Sabesp, promessa de campanha do governador Tarcísio de Freitas, ganhou destaque recente após funcionários da estatal paralisarem os serviços em protesto contra a medida. A proposta, que avançou nas últimas semanas dentro do Executivo, gerou também manifestações contrárias nas ruas.
A Sabesp, empresa de economia mista com 50,3% de controle estatal, atende 375 municípios paulistas, beneficiando 28,4 milhões de pessoas. Reconhecida internacionalmente, a companhia tem valor de mercado estimado em R$ 39 bilhões e anunciou um lucro de R$ 3,12 bilhões no ano passado.
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