São Paulo se destaca como a única capital a registrar queda no custo residencial de água

Gabriela Nogueira Publicado em 13/11/2025, às 14h34
A Sabesp consolidou em 2024 uma posição inédita entre as principais operadoras de saneamento do país: a companhia passou a oferecer a menor tarifa média entre as 20 maiores empresas do setor.
Para um consumo mensal de 10 mil litros de água, os paulistas desembolsam hoje R$ 37,96 — menos de um terço do valor pago em cidades como Belo Horizonte, Brasília e municípios do Rio Grande do Sul, onde a cobrança pode superar R$ 121,80.
O resultado é consequência direta da desestatização finalizada em julho do ano passado, que redefiniu o modelo de gestão e ampliou o alcance da Sabesp. Logo após a mudança societária, a companhia aplicou reduções escalonadas: 10% para consumidores de baixa renda, 1% para residências comuns e 0,5% para estabelecimentos comerciais e industriais. Em um cenário em que a maior parte das capitais registrou aumento médio de 6,8% nas tarifas residenciais, segundo a Global Water Intelligence (GWI), São Paulo se destacou como a única capital a apresentar queda nos preços ao consumidor.
A diretora-executiva de Relações Institucionais e Sustentabilidade da empresa, Samanta Souza, afirma que a nova fase da companhia reposiciona o serviço de saneamento básico no estado. “O contrato de concessão ampliou nossa área de atuação para comunidades rurais e assentamentos informais, ao mesmo tempo em que conseguimos reduzir tarifas. É um modelo que alia eficiência operacional, compromisso social e responsabilidade com quem utiliza o serviço”, afirma.
Expansão da tarifa social
A reformulação tarifária teve impacto expressivo no atendimento às famílias economicamente vulneráveis. No primeiro ano após a desestatização, o número de consumidores enquadrados na tarifa social ou na categoria vulnerável saltou de 991 mil para 1,8 milhão, um crescimento de 90%. Nesses casos, os descontos podem atingir 78% em relação à tarifa convencional.
Essa política é financiada pelo Fundo de Apoio à Universalização do Saneamento (Fausp), que recebeu R$ 4,4 bilhões provenientes de 30% dos recursos obtidos com a venda das ações da companhia. O fundo é abastecido ainda pelos dividendos correspondentes à participação acionária do Estado, mecanismo que garante estabilidade e previsibilidade para manter os valores mais baixos.
Novo modelo regulatório
As mudanças implementadas também alcançam a estrutura regulatória. O sistema anterior previa que o consumidor pagasse antecipadamente por investimentos futuros, ainda em fase de planejamento. Agora, a cobrança só ocorre após a entrega das obras, o que, segundo a companhia, aumenta a transparência e assegura que o cliente arque apenas com melhorias já concluídas. O modelo, de acordo com a Sabesp, fortalece a relação de confiança com o usuário e contribui para tarifas mais justas.
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