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COLUNA

Entenda a relação entre saneamento básico, saúde sustentável e sobrevivência

Ranking do Saneamento 2024 revela que 32 milhões carecem de água potável e 90 milhões não têm esgoto adequado no Brasil. - Imagem: Reprodução | Senado Federal
Ranking do Saneamento 2024 revela que 32 milhões carecem de água potável e 90 milhões não têm esgoto adequado no Brasil. - Imagem: Reprodução | Senado Federal
Mara Machado

por Mara Machado

Publicado em 05/02/2025, às 09h00


Pelo menos 32 milhões de pessoas vivem sem acesso à água potável e, quase o triplo, em torno de 90 milhões estão sem acesso à coleta de esgoto adequada no Brasil. O quadro alarmante foi recentemente divulgado pelo Ranking do Saneamento 2024, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, e traz desdobramentos graves.

O impacto não se restringe a quase metade da população brasileira, o que já seria muito grave. O saneamento básico representa um determinante social altamente relevante na complexa combinação de fatores que influencia a dinâmica da saúde, com implicação na qualidade de vida dos indivíduos e no sucesso de políticas públicas de saúde.

É preciso compreender a correlação entre determinantes sociais e resultados da saúde para avançar de maneira mais efetiva na equidade em todo o ecossistema da saúde.

Diversos fatores contribuem para a falta de acesso à rede de esgoto em muitas regiões do Brasil. Questões socioeconômicas, urbanização desordenada, falta de infraestrutura adequada e desigualdade econômica são alguns dos principais elementos que perpetuam a falta de acesso à rede de esgoto no país.

Em associação a outros riscos, como a subnutrição e problemas de higiene, a falta de saneamento facilita a propagação de doenças, sobretudo entre aqueles que apresentam uma saúde mais fragilizada.

Para se ter uma ideia, a diarreia causa, anualmente, em todo o mundo, a morte de 361 mil crianças com menos de 5 anos (OMS).

Em 2023, dados do IBGE mostram que 31,9% dos municípios brasileiros ainda utilizam lixões como unidade de disposição final de resíduos sólidos.

Ausência de saneamento sobrecarrega a saúde pública e eleva os gastos do sistema, em função de atendimentos médicos e internações, especialmente no caso de crianças, de adultos com saúde frágil e de idosos. Não é nada surpreendente, que o trabalhador que vive em regiões com ampla cobertura sanitária produza mais e receba salários maiores.

O saneamento urbano brasileiro é marcado pela insuficiência em investimentos, gestão e prestação do serviço como um todo.

Ainda que o Novo Marco do Saneamento seja a medida mais eficaz para que o acesso à água potável e ao esgoto tratado sejam uma realidade para todos, é preciso viabilizar investimentos às companhias de saneamento, municípios e iniciativas privadas.

O que está claro hoje é que os perigos que nossa espécie enfrenta exigirão ações coletivas urgente em níveis locais e global. A cooperação será indispensável para nossa sobrevivência, o que reforça a necessidade de reverter a crescente de competições e conflitos, de guerras e nacionalismo exacerbado.


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