
por Matheus Costa
Publicado em 29/08/2025, às 09h17
O estado de São Paulo é, sem dúvida, o mais diverso e acolhedor do país, tendo recebido migrantes de todo o Brasil e imigrantes de várias partes do mundo, responsáveis por grande parte do crescimento. Esse movimento ajudou a transformar São Paulo no estado mais pujante, rico e desenvolvido do Brasil.
Com avanços expressivos em tecnologia, no agronegócio e no setor financeiro, São Paulo concentra a sede das principais instituições de investimento e bancos, grandes empresas nacionais e multinacionais. Das dez melhores rodovias do Brasil, nove estão em território paulista. Os aeroportos mais movimentados do pais e o maior porto do hemisfério sul do mundo. Não à toa, se fosse um país, São Paulo competiria em igualdade com diversas nações do chamado “primeiro mundo”.
É natural, portanto, imaginar que o governador do estado se sinta feliz de ter o privilégio de liderar essa potência. O próprio governador Tarcísio já afirmou que ingressou na política estadual após convite do então presidente Jair Bolsonaro, o que lhe permitiu lançar-se como candidato competitivo e, posteriormente, vencer as eleições, com o PSD indicando o vice-governador, Felício Ramuth.
Hoje, Tarcísio consolidou um eleitorado próprio e desfruta de alta popularidade, resultado de sua postura técnica aliada a uma linguagem acessível ao grande público. Com semblante simpático e sorriso fácil, é visto por quem convive com ele como alguém “gente da gente”.
Diante desse cenário, a possibilidade de sua candidatura presidencial passa a ser um movimento impulsionado por importantes atores políticos, por parte significativa do empresariado e especialmente o eixo Faria Lima, somados aos bons números de sua gestão, e não uma vontade pessoal, como ele faz questão de dizer publicamente que não tem. A situação se intensifica com a inelegibilidade do ex-presidente Bolsonaro, criando um vácuo político que aumenta ainda mais as conversas sobre Tarcísio como candidato ao Planalto.
Nesta semana, Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, declarou que, se o governador Tarcísio for candidato à Presidência, será pelo PL. Na mesma noite, em evento comemorativo de 20 anos do Republicanos, o presidente nacional do partido afirmou: “Se as conjunturas permitirem, teremos candidato próprio à Presidência. Não é mesmo, Tarcísio?”, em clara referência à sua eventual candidatura ao Planalto.
Outro ator de grande relevância é Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e secretário de Governo e Relações Internacionais de Governo de São Paulo. Kassab é hoje um dos maiores dirigentes partidários do país e possui uma leitura política única. O PSD é um dos maiores partidos do Brasil, com a maior bancada no Senado, governadores em estados estratégicos e o maior número de prefeitos eleitos. O PSD tem dois nomes muito competitivos para a disputa presidencial: Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, mas já sinalizou que, se Tarcísio optar pelo Planalto, o partido caminhará com ele.
Forças políticas da direita e da centro-direita, além da federação formada pelo União Brasil e PP, também se articulam em torno desse movimento.
O grande ponto de interrogação é: qual será a postura de Bolsonaro no futuro próximo?
Embora o governador afirme que é candidato à reeleição em São Paulo, o movimento político, sua alta competitividade nas pesquisas e o cenário nacional frequentemente o projetam ao Planalto. Nessas circunstâncias, a candidatura deixa de ser uma escolha individual e passa a ser consequência natural de uma conjuntura.
Nos próximos meses, os movimentos políticos devem se intensificar e revelar com mais clareza os rumos dessa articulação.
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