Líder ucraniano reafirma que não aceitará concessões territoriais para encerrar guerra

Manoela Cardozo Publicado em 18/08/2025, às 10h20
Às vésperas de se encontrar com Donald Trump, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, reforçou sua posição sobre o conflito com a Rússia. Em mensagem publicada no X, no domingo (17), ele destacou que “os ucranianos estão lutando por sua terra, por sua independência”. A fala evidenciou a resistência em aceitar qualquer acordo que envolva a cessão de territórios.
A publicação ocorreu logo após Trump pressionar novamente o líder ucraniano. O republicano condicionou o fim da guerra à permanência da Crimeia sob domínio russo e à exclusão da Ucrânia do processo de adesão à Otan. Em entrevista, Trump afirmou ainda que Zelensky “pode encerrar a guerra com a Rússia quase imediatamente, se quiser, ou pode continuar lutando”.
Sem citar diretamente Trump, Zelensky rebateu a proposta de abrir mão da península da Crimeia. Segundo ele, a experiência anterior mostrou que concessões não garantem paz. “Todos nós compartilhamos um forte desejo de encerrar esta guerra de forma rápida e confiável. E a paz deve ser duradoura. Não como foi anos atrás, quando a Ucrânia foi forçada a ceder a Crimeia e parte do nosso Leste — parte de Donbas — e Putin simplesmente usou isso como trampolim para um novo ataque”, declarou.
O presidente completou: “Claro, a Crimeia não deveria ter sido cedida naquela época, assim como os ucranianos não cederam Kyiv, Odesa ou Kharkiv depois de 2022. Os ucranianos estão lutando por sua terra, por sua independência”.
Ainda na mesma publicação, Zelensky confirmou que já está em Washington para o encontro com Trump, previsto para esta segunda-feira (18).
Na sexta-feira (15), Trump se reuniu com o presidente russo, Vladimir Putin. Após a conversa, passou a defender uma solução negociada para o fim da guerra. De acordo com informações da Reuters e do jornal The New York Times, a Rússia estaria disposta a retirar tropas de parte dos territórios ocupados. A condição, no entanto, seria a incorporação de Donetsk e Lugansk ao território russo.
Além disso, a proposta incluiria a garantia de que a Ucrânia não se junte à Otan. Segundo o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, Putin teria sinalizado abertura para discutir garantias de segurança inspiradas no modelo da aliança militar ocidental, mas sem detalhar como funcionariam.
Moscou sustenta que a Crimeia, anexada em 2014, já é parte do território russo. A população local teria votado pela separação da Ucrânia no mesmo ano, mas tanto Kiev quanto a comunidade internacional rejeitam a validade do referendo.
O encontro entre Trump e Zelensky será realizado na Casa Branca, em Washington. Segundo a agenda oficial, divulgada no domingo (17), os dois se reunirão a sós nesta segunda-feira (18), às 13h15 no horário local (14h15 em Brasília), no Salão Oval.
Na sequência, às 15h (16h em Brasília), líderes europeus se juntarão à reunião na Sala Leste da residência presidencial. Entre os confirmados estão Emmanuel Macron (França), Keir Starmer (Reino Unido), Friedrich Merz (Alemanha), Ursula von der Leyen (Comissão Europeia), Mark Rutte (Otan), Giorgia Meloni (Itália) e Alexander Stubb (Finlândia).
Esse será o segundo encontro entre Trump e Zelensky desde o início da guerra. O primeiro, em fevereiro, terminou de forma abrupta após o republicano adotar um tom ríspido e pouco diplomático.
Agora, Trump deve apresentar formalmente a proposta discutida com Putin em Anchorage. Segundo fontes ouvidas pela imprensa, a ideia envolve congelar as linhas de frente atuais em troca do reconhecimento internacional da anexação da Crimeia e de áreas ocupadas no Donbas e em Zaporizhzhia.
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