Segundo autoridade americana ouvida pela CNN, mísseis e drones lançados pelo Irã foram interceptados ou não provocaram danos significativos. Teerã afirma ter mirado 85 instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait.

Ana Beatriz Silva Publicado em 08/07/2026, às 12h06
Os ataques de retaliação do Irã contra alvos americanos no Golfo não resultaram em feridos entre os militares dos EUA, após bombardeios americanos em território iraniano, intensificando a tensão entre Washington e Teerã.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter atacado 85 instalações militares dos EUA, em resposta a bombardeios que foram justificados como reação a ataques iranianos a navios no Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de petróleo.
O presidente Donald Trump anunciou o fim do acordo provisório com o Irã e indicou a possibilidade de novos ataques, enquanto a situação permanece instável, com riscos de uma escalada maior no conflito e impactos econômicos, como o aumento nos preços do petróleo.
Nenhum militar dos Estados Unidos ficou ferido nos ataques de retaliação realizados pelo Irã contra alvos americanos no Golfo, informou uma autoridade dos EUA à CNN nesta quarta-feira, 8 de julho. A ofensiva iraniana ocorreu após uma nova rodada de bombardeios americanos contra o território iraniano na noite de terça-feira, 7 de julho.
De acordo com a autoridade americana, os mísseis e drones disparados pelo Irã foram interceptados ou não atingiram alvos relevantes. A fonte afirmou ainda que não houve danos significativos provocados pela resposta iraniana.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, por outro lado, declarou ter lançado ataques contra 85 instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait. A ação foi apresentada por Teerã como resposta direta aos ataques americanos realizados horas antes.
A troca de ofensivas representa uma nova escalada na tensão entre Washington e Teerã. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, as forças americanas atingiram mais de 80 alvos no Irã com munições de precisão. A ofensiva foi justificada como resposta a ataques iranianos contra embarcações comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.
Entre os alvos atingidos pelos Estados Unidos estavam sistemas de defesa aérea, instalações de radar e pequenas embarcações ligadas à Guarda Revolucionária Islâmica, segundo informações divulgadas pela CNN. A ofensiva americana marcou um dos momentos mais delicados da crise recente entre os dois países.
A crise começou a se agravar depois que o Irã lançou ataques contra três navios tanque que passavam pelo Estreito de Ormuz, na terça-feira, 7 de julho. Segundo Teerã, as embarcações teriam passado por uma rota não autorizada nas proximidades de Omã, país que atua como mediador no conflito.
O Estreito de Ormuz tem importância global porque concentra parte essencial do fluxo internacional de petróleo. A Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos classifica a passagem como um dos pontos de estrangulamento mais importantes do mundo para o transporte de óleo, ao lado do Estreito de Malaca.
Após os ataques, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o acordo provisório com o Irã estava encerrado. Durante a Cúpula da Otan, na Turquia, Trump afirmou que os Estados Unidos haviam atingido o Irã com força e que poderiam realizar novos ataques ainda nesta quarta-feira.
O republicano acusou os líderes iranianos de enganarem Washington durante as negociações. Segundo Trump, o Irã demonstrava disposição para um acordo em conversas diplomáticas, mas depois voltava atrás publicamente. O presidente americano disse não estar satisfeito com Teerã e indicou que a possibilidade de nova ação militar continuava sobre a mesa.
Do lado iraniano, o Ministério das Relações Exteriores atribuiu a responsabilidade pela escalada aos Estados Unidos. Teerã acusa Washington de violar compromissos firmados no memorando de entendimento assinado no mês passado, que previa a redução das hostilidades, a reabertura do Estreito de Ormuz e o alívio de determinadas restrições financeiras contra o Irã.
A nova crise também teve reflexos econômicos imediatos. Segundo a CNN, os preços do petróleo subiram mais de 6% e bolsas de valores ao redor do mundo registraram queda após a troca de ataques e as declarações de Trump.
Apesar da gravidade da escalada, analistas avaliam que os ataques não significam necessariamente o retorno automático a uma guerra aberta entre Estados Unidos e Irã. Uma análise da CNN aponta que os dois países ainda têm motivos para evitar um conflito total, embora o risco de erro de cálculo militar ou político tenha aumentado de forma significativa.
A ausência de feridos entre militares americanos, segundo a versão dos Estados Unidos, reduz momentaneamente a pressão por uma resposta imediata de maior proporção. Ainda assim, a situação permanece instável. De um lado, Washington promete impor custos mais altos ao Irã. Do outro, Teerã tenta demonstrar força militar e preservar sua influência regional.
O principal risco agora está na sequência dos próximos movimentos. Se os Estados Unidos realizarem novos ataques, como indicado por Trump, o Irã poderá responder novamente contra instalações americanas ou alvos aliados no Golfo. Isso aumentaria a pressão sobre países como Bahrein e Kuwait, que abrigam presença militar dos EUA e estão diretamente expostos à disputa.
A troca de ataques reacende o alerta internacional sobre uma possível ampliação do conflito no Oriente Médio. Mesmo sem mortes ou feridos americanos confirmados até o momento, o episódio mostra que o acordo provisório entre Washington e Teerã está em seu ponto mais frágil desde a assinatura.
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