Diário de São Paulo
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Trump envia negociadores à Rússia em busca de cessar-fogo na Ucrânia

A equipe de Trump busca um cessar-fogo de 30 dias na guerra da Ucrânia, enquanto Moscou aguarda mais informações sobre a proposta

O presidente dos EUA espera que Putin aceite a proposta de trégua, mas a Rússia já a classificou como inaceitável anteriormente. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @AP
O presidente dos EUA espera que Putin aceite a proposta de trégua, mas a Rússia já a classificou como inaceitável anteriormente. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @AP

por Marina Milani

Publicado em 13/03/2025, às 11h26


Na quarta-feira (12), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou sua decisão de enviar uma equipe de negociadores à Rússia. Esta ação ocorre em um momento crítico, no qual Moscou é pressionada a aceitar uma proposta de cessar-fogo de 30 dias na guerra na Ucrânia, proposta que já recebeu apoio da parte ucraniana. Trump expressou sua esperança de que o presidente russo, Vladimir Putin, se mostre receptivo a essa iniciativa, embora tenha se abstido de detalhar possíveis respostas em caso de recusa por parte da Rússia.

Até o presente momento, as autoridades russas não emitiram qualquer declaração oficial e afirmam que aguardam mais informações sobre a proposta. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, indicou a possibilidade de uma conversa telefônica entre Trump e Putin em um futuro próximo. Vale ressaltar que, anteriormente, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou uma trégua temporária como "inaceitável".

Trump mencionou que deve se comunicar com Putin ainda esta semana e anunciou que o enviado especial Steve Witkoff partirá para Moscou imediatamente. A proposta de cessar-fogo foi discutida durante negociações realizadas na Arábia Saudita entre representantes dos Estados Unidos e da Ucrânia, ocorridas após mais de três anos de conflito.

Esse encontro teve como resultado a diminuição das tensões entre Kiev e Washington, que haviam aumentado devido a um desentendimento entre Trump e o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a responsabilidade agora recai sobre os russos e aguarda ansiosamente a resposta de Moscou.

Rubio destacou que um possível "sim" por parte da Rússia indicaria avanços significativos rumo à paz. Em contraste, um "não" deixaria claro quais seriam as verdadeiras intenções da Rússia. Zelensky expressou sua desconfiança em relação a Moscou e enfatizou a necessidade de uma resposta russa à proposta. Além disso, ele solicitou aos Estados Unidos medidas contundentes em caso de negativa e esclareceu que as garantias de segurança solicitadas pela Ucrânia serão discutidas com mais profundidade após a implementação do cessar-fogo.

Enquanto isso, países europeus que estão atualmente fora das discussões entre Kiev e Moscou instaram a Rússia a se manifestar e reiteraram a necessidade de garantias de segurança para evitar novos ataques. Nas ruas de Kiev, as reações à proposta foram variadas; Roman Dunayevskiy comentou que a ideia é positiva, mas duvidava da aceitação por parte da Rússia.

Em Kramatorsk, próximo ao front no Donbass, um oficial ucraniano previu que os ataques russos continuarão mesmo diante de um cessar-fogo. Uma opinião semelhante foi ouvida entre cidadãos em Moscovo; Anna Kozlova, funcionária pública russa, acredita que uma trégua poderia dar à Ucrânia oportunidade para se rearmar.

A aceitação inicial da proposta pela Ucrânia levou Washington a reiniciar o envio de ajuda militar e informações de inteligência para Kiev. De acordo com fontes polonesas, as entregas americanas de equipamentos militares pelo centro logístico em Jasionka retornaram aos níveis anteriores.

No campo de batalha, as forças ucranianas estão enfrentando dificuldades na região administrativa de Kursk, invadida em agosto de 2024. A perda deste território poderia comprometer a posição da Ucrânia nas futuras negociações com a Rússia, que atualmente ocupa cerca de 20% do território ucraniano.

Zelensky declarou que as tropas russas estão intensificando sua pressão sobre os soldados ucranianos em Kursk; no entanto, não houve anúncio oficial sobre retiradas. O comandante do Exército ucraniano ordenou o envio de reforços para a área.

Enquanto isso, bombardeios continuam ocorrendo na Ucrânia. Em Odessa, um míssil balístico russo resultou na morte de quatro pessoas e causou danos a um navio mercante registrado em Barbados. Em resposta às hostilidades contínuas, o Ministério da Defesa da Rússia relatou que suas defesas interceptaram 77 drones ucranianos lançados contra seu território após um ataque massivo contra Moscovo.

Um ataque ucraniano direcionado a uma instalação alimentícia em Kursk também resultou na morte de quatro indivíduos. Nesse cenário, Vladimir Putin visitou unidades militares atuando contra as forças ucranianas na região.


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