Ascensão meteórica, ruptura familiar e um passado inesperado ajudam a explicar a virada histórica que abalou o país europeu

Manoela Cardozo Publicado em 13/04/2026, às 06h00
Uma fotografia na parede de infância virou símbolo de uma reviravolta histórica. Décadas depois de admirar Viktor Orbán, o agora rival Peter Magyar protagoniza a queda de um dos governos mais duradouros da Europa.
Com uma vitória expressiva nas urnas, o partido Tisza, liderado por Magyar, conquistou força suficiente para dominar o Parlamento e abrir caminho para mudanças profundas, incluindo a possibilidade de alterar a Constituição. O resultado marca o fim de um ciclo político de mais de uma década e meia sob o comando de Orbán.
A trajetória de Magyar chama atenção pela rapidez e pelas circunstâncias. Até pouco tempo atrás, ele era um nome praticamente desconhecido fora dos bastidores do poder. Sua projeção começou após a queda de sua ex-esposa, Judit Varga, que deixou a política em meio a um escândalo envolvendo um polêmico perdão judicial. O episódio desencadeou uma ruptura pública e definitiva com o grupo governista.
Logo depois, Magyar passou a atacar duramente o antigo aliado, acusando o partido Fidesz de corrupção e manipulação da opinião pública. Em uma entrevista que viralizou, afirmou estar “desiludido” com o sistema que ajudou a integrar.
O que veio na sequência surpreendeu até analistas experientes. Em poucos meses, ele estruturou uma nova força política e conquistou apoio expressivo, consolidando-se como o principal rosto da oposição. O desempenho nas eleições europeias já indicava a mudança de ventos, mas a vitória nacional confirmou o fenômeno.
Apesar do discurso de mudança, Magyar adotou cautela estratégica. Evitou romper completamente com pautas conservadoras e apostou em uma comunicação fortemente patriótica, com eventos marcados por bandeiras e apelos à identidade nacional, em uma tática semelhante à utilizada por Orbán ao longo dos anos.
Ao mesmo tempo, apresentou propostas que sinalizam uma reaproximação com o Ocidente, incluindo o compromisso de reduzir a dependência energética da Rússia e retomar relações mais alinhadas com a União Europeia. Também prometeu destravar recursos financeiros bloqueados, considerados essenciais para reaquecer a economia do país.
Nascido em uma família de advogados, Magyar construiu carreira no Direito e passou por cargos no setor público e financeiro. Pai de três filhos, ele mantém uma imagem pessoal mais próxima do cotidiano, dizendo ser religioso e adepto de momentos simples, como cozinhar e jogar futebol com a família.
A vitória foi celebrada nas ruas de Budapeste, onde milhares de apoiadores acompanharam o discurso do novo líder. Em meio à multidão, ele ergueu a bandeira nacional ao som de My Way, em um gesto carregado de simbolismo político e pessoal.
Em suas primeiras palavras após o resultado, Magyar prometeu uma transição tranquila e afirmou que os húngaros votaram “SIM!” para um novo caminho dentro da Europa.
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