Diário de São Paulo
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Tensão no Golfo

Presidente do Irã pede desculpas a países do Golfo e diz que ataques serão suspensos

Masoud Pezeshkian afirma que Teerã não pretende atacar nações vizinhas, mas mantém alerta diante de possíveis ofensivas contra o território iraniano

Donald Trump ameaça o Irã com força sem precedentes em caso de retaliação - Imagem: Divulgação
Donald Trump ameaça o Irã com força sem precedentes em caso de retaliação - Imagem: Divulgação

Letícia Sales Publicado em 07/03/2026, às 09h27


O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu desculpas publicamente aos países árabes do Golfo neste sábado (7) e afirmou que o país pretende interromper os ataques contra nações vizinhas, a menos que ações militares contra o território iraniano partam desses locais.

O pronunciamento foi transmitido pela televisão estatal iraniana após uma semana de forte tensão militar na região. Durante a declaração, o presidente disse que Teerã não pretende ampliar o conflito com os países do entorno.

“Peço desculpas pessoalmente aos países vizinhos que foram atacados pelo Irã”, afirmou. “Não temos a intenção de atacar países vizinhos. Como já disse repetidamente, eles são nossos irmãos”, acrescentou.

Pezeshkian também declarou que a liderança temporária do país orientou as forças armadas a interromper as ofensivas contra nações próximas. “O conselho de liderança de três membros que governa o Irã temporariamente informou às forças armadas que, a partir de agora, não deve haver ataques contra países vizinhos nem lançamento de mísseis, a menos que eles queiram nos atacar a partir desses países”, disse.

Segundo o presidente iraniano, a saída para o atual cenário de tensão deve ser diplomática. “Acho que precisamos resolver isso com diplomacia, em vez de lutar e criar problemas com os países vizinhos”, afirmou.

Ele também fez um apelo direto às nações do Golfo para que não participem de ações militares contra o Irã. “Insto os países do Golfo a não se tornarem brinquedos nas mãos do imperialismo”, declarou.

Apesar do anúncio, não está claro se a decisão entrou em vigor imediatamente. Após o pronunciamento, foram registradas novas interceptações aéreas sobre os Emirados Árabes Unidos, enquanto sirenes de alerta foram acionadas no Bahrein.

A escalada de tensão no Oriente Médio se intensificou após uma série de ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos, iniciados no dia 28, em meio a disputas relacionadas ao programa nuclear do país.

Em resposta, o governo iraniano lançou ofensivas contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, incluindo Catar, Kuwait, Jordânia e Iraque.

No domingo, a mídia estatal iraniana informou que o líder supremo do país, Ali Khamenei, teria sido uma das vítimas dos ataques conduzidos por forças norte-americanas e israelenses. Após o anúncio, autoridades iranianas afirmaram que o país poderia lançar a “ofensiva mais pesada” de sua história.

Pezeshkian declarou ainda que o Irã considera responder aos ataques como um “direito e dever legítimo”.

Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump reagiu com novas ameaças caso haja retaliação iraniana. “É melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”, disse.

As tensões continuam elevadas na região, enquanto a comunidade internacional acompanha com preocupação a possibilidade de ampliação do conflito no Oriente Médio.


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