Após longa espera e desafios, Suécia se torna o 32º membro da aliança militar, em uma decisão celebrada pelos Estados Unidos e pela Ucrânia

Marina Milani Publicado em 08/03/2024, às 08h22
A Suécia deu um passo histórico nesta quinta-feira (07) ao se tornar o mais novo membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Após um processo que se estendeu por mais de dois anos e enfrentou adiamentos e desafios políticos, o parlamento húngaro finalmente aprovou com 188 votos a favor e seis contra a entrada da Suécia na aliança militar.
O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, formalizou a adesão ao entregar os documentos finais ao governo dos Estados Unidos, em uma cerimônia simbólica em Washington. Kristersson destacou a importância do momento, enfatizando que a Suécia está mais segura e fortalecida com a aliança ao seu lado.
A entrada da Suécia no tratado ocorre em meio a uma crescente tensão geopolítica, especialmente após a invasão russa à Ucrânia. O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, ressaltou que o contexto internacional mudou drasticamente desde então, influenciando a percepção pública na Suécia sobre a adesão à aliança.
A decisão foi amplamente celebrada pelos Estados Unidos e pelos demais membros, que veem na Suécia um reforço estratégico significativo. O presidente americano, Joe Biden, afirmou que a entrada da Suécia a torna mais unida e determinada diante das agressões russas.
Com a adesão da Suécia, toda a costa do Mar Báltico passa a fazer parte do território da Otan, exceto a região russa e Kaliningrado. Isso fortalece a defesa dos países bálticos em caso de um eventual ataque russo, além de consolidar a importância estratégica da região para a aliança.
Além disso, o exército sueco e seu equipamento militar serão integrados à organização, contribuindo para aumentar a capacidade defensiva da aliança. Apesar de seu tamanho modesto, a Suécia possui uma força militar moderna e bem equipada, incluindo uma frota de submarinos reconhecida internacionalmente.
Um dos principais compromissos da Suécia como membro será o aumento dos gastos com defesa, visando alcançar a meta estabelecida pela aliança de destinar 2% do produto interno bruto para esse fim.
A entrada marca uma mudança significativa na política de segurança do país, que tradicionalmente se manteve fora de alianças militares por mais de dois séculos. Contudo, diante do atual cenário geopolítico, a Suécia vê uma garantia de segurança e estabilidade na região.
Vale ressaltar que, como membro pleno da Otan, a Suécia terá voz e voto no Conselho da aliança, contribuindo para as decisões estratégicas e de defesa do bloco. No entanto, a adesão também levanta questões sobre o papel do país como mediador e defensor do desarmamento nuclear, diante das pressões de outros membros da aliança nesse sentido.
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