O presidente argentino Javier Milei defende uma relação mais próxima com os Estados Unidos em detrimento do Mercosul

por Marina Milani
Publicado em 02/03/2025, às 20h07
O presidente argentino voltou a atacar o bloco econômico e defendeu maior aproximação com os Estados Unidos.
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a criticar o Mercosul e ameaçou retirar o país do bloco econômico. Durante seu discurso de abertura do Congresso argentino, nesta sexta-feira (1), Milei afirmou que a aliança só beneficiou os grandes industriais brasileiros enquanto prejudicava a economia argentina.
"Para aproveitar essa oportunidade histórica que volta a se apresentar, é necessário estar disposto a flexibilizar. Incluindo, se for o caso, sair do Mercosul, que só o que fez desde sua criação foi enriquecer os grandes industriais brasileiros, às custas de empobrecer os argentinos", declarou o líder argentino, defendendo a possibilidade de um acordo comercial direto com os Estados Unidos.
O Mercosul, formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, tem sido alvo de críticas recorrentes de Milei, que vê o bloco como um entrave para a abertura comercial do país. A posição do presidente argentino contrasta com a do governo brasileiro, que defende o fortalecimento do grupo e a ampliação de acordos com outras economias.
A declaração de Milei adiciona mais um capítulo às tensões diplomáticas entre Argentina e Brasil. Desde sua posse, o presidente argentino tem adotado um tom combativo contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, criticando políticas econômicas e decisões políticas do país vizinho.
No mesmo discurso, Milei fez um balanço dos primeiros meses de sua administração, destacando a desaceleração da inflação e o superávit fiscal. Ele também reafirmou compromissos com a redução de impostos e o fim das restrições cambiais.
"O país está radicalmente diferente do que era há um ano", afirmou Milei, reforçando sua promessa de enxugar o Estado e avançar na privatização de empresas públicas. "Prefiro encolher o Estado e ter menos pobres na Argentina", finalizou.
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