Diário de São Paulo
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TERMÔMETRO DA GUERRA

Maioria dos americanos vê ação dos EUA contra o Irã como exagerada, aponta pesquisa

Levantamento indica rejeição crescente à escalada militar e aumento da preocupação com o preço da gasolina nos Estados Unidos

Ataques no Irã intensificam tensão global e aumentam pressão interna sobre o governo dos EUA. - Imagem: Eduardo Munoz / /Reuters
Ataques no Irã intensificam tensão global e aumentam pressão interna sobre o governo dos EUA. - Imagem: Eduardo Munoz / /Reuters

Redação Publicado em 25/03/2026, às 10h09


A ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã enfrenta crescente resistência interna, com 59% dos americanos acreditando que as ações do governo ultrapassaram limites aceitáveis, em meio a uma guerra que já dura quatro semanas sem sinais de desescalada.

Embora haja críticas à intensidade dos ataques, cerca de dois terços da população concordam que impedir o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã é uma prioridade, refletindo um dilema entre segurança internacional e cautela militar.

A preocupação com o aumento dos preços dos combustíveis, que afeta 45% dos americanos, e a rejeição ao envio de tropas terrestres, com 60% contra, pressionam a Casa Branca a equilibrar a necessidade de segurança global com o desgaste político interno.

A ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã começa a enfrentar resistência dentro do próprio país. Uma pesquisa recente revela que a maioria dos americanos considera que a resposta liderada pelo presidente Donald Trump “foi longe demais”, acendendo um alerta político em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.

Segundo o levantamento, 59% dos entrevistados avaliam que as ações militares ultrapassaram os limites necessários. O dado surge em um momento delicado, com a guerra — conduzida em parceria com Israel — entrando na quarta semana e sem sinais claros de desescalada.

Apesar da crítica à intensidade dos ataques, há um ponto de convergência entre os americanos: impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. Cerca de dois terços da população consideram essa meta prioritária, evidenciando um cenário de opinião pública dividido entre segurança internacional e cautela militar.

Outro fator que pressiona o governo é o impacto econômico. A preocupação com o preço da gasolina cresceu significativamente: 45% dos americanos afirmam estar muito ou extremamente preocupados com o custo do combustível — um salto relevante em comparação aos meses anteriores.

A alta está diretamente ligada às tensões no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O fechamento da região pelo Irã agravou o temor de uma crise energética global, refletindo rapidamente no bolso dos consumidores.

Mesmo com a aprovação geral de Trump mantendo-se estável em torno de 40%, a condução da política externa enfrenta maior desgaste. Apenas 34% aprovam sua atuação internacional, e cerca de metade da população afirma ter pouca ou nenhuma confiança em suas decisões militares.

A rejeição se intensifica quando o assunto é o envio de tropas terrestres: aproximadamente 60% dos americanos são contra a medida, demonstrando receio de um envolvimento mais profundo no conflito.

O cenário evidencia um dilema para a Casa Branca: equilibrar a pressão por segurança global com o desgaste interno provocado por uma guerra cada vez mais longa, cara e impopular.


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