A Grande Barragem do Renascimento é a maior obra hidrelétrica da África, com investimento de quase 4 bilhões de dólares

Gabriela Thier Publicado em 09/09/2025, às 14h55
Na última terça-feira (9), a Etiópia deu um passo significativo ao inaugurar a "Grande Barragem do Renascimento" (GERD), considerada a maior obra de infraestrutura hidrelétrica da África. Com um investimento estimado em quase 4 bilhões de dólares (aproximadamente 21,6 bilhões de reais), a construção da barragem teve início em 2011 e abrange uma impressionante estrutura de 1,8 quilômetro de comprimento e 145 metros de altura, capaz de armazenar até 74 bilhões de metros cúbicos de água.
A importância da GERD se torna ainda mais evidente quando se considera que a Etiópia é o segundo país mais populoso do continente africano, com cerca de 130 milhões de habitantes, dos quais quase 45% não têm acesso à eletricidade. Especialistas indicam que a nova barragem pode ser um divisor de águas na busca por uma "revolução energética" no país. Além disso, a Etiópia tem se posicionado como uma líder no impulso à adoção de veículos elétricos na África, sendo pioneira na proibição da importação de automóveis com motores a combustão, prevista para entrar em vigor no início de 2024.
Durante a cerimônia inaugural, o primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed declarou que a GERD representa "uma conquista monumental não apenas para a Etiópia, mas para toda a população negra". Ele destacou que a barragem é um exemplo positivo para as comunidades que vivem rio abaixo e garantiu que sua construção não prejudicará o desenvolvimento desses países.
No entanto, a iniciativa etíope tem gerado tensões significativas com seus vizinhos, especialmente o Sudão e o Egito. Estes países expressaram preocupações sobre o impacto da barragem em suas fontes hídricas. O governo egípcio caracterizou a GERD como uma "ameaça existencial" para sua população de 110 milhões de pessoas, já que 97% das necessidades hídricas do Egito provêm do Nilo, sendo crucial para a agricultura e outras atividades.
Em resposta às preocupações regionais, o Egito enviou uma carta ao Conselho de Segurança das Nações Unidas denunciando a construção da barragem como uma "medida unilateral" que infringe normas do direito internacional. A correspondência também reafirmou o direito do Egito em adotar medidas necessárias para proteger os interesses essenciais de sua população, conforme estipulado na Carta das Nações Unidas. O Sudão também manifestou seu descontentamento e reiterou sua oposição a qualquer ação unilateral na bacia do Nilo Azul.
A longo prazo, espera-se que a GERD tenha uma capacidade instalada de 5.000 megawatts (MW), representando o dobro da geração atual da Etiópia. Além disso, Addis Abeba poderá gerar receitas significativas por meio da exportação de eletricidade para países vizinhos, com estimativas indicando lucros anuais que podem alcançar até 1 bilhão de dólares (cerca de 5,42 bilhões de reais).
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