Lula enfatiza a necessidade de equilibrar a balança comercial com a Rússia e expandir a cooperação em diversas áreas

Gabriela Thier Publicado em 09/05/2025, às 17h29
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizou uma reunião de trabalho na última sexta-feira (9) com o líder russo Vladimir Putin, em Moscou. O encontro teve como pano de fundo a celebração dos 80 anos do Dia da Vitória, evento organizado por Putin para reforçar a presença russa na cena internacional, especialmente após os desafios enfrentados nos últimos três anos devido ao conflito com a Ucrânia.
Durante a reunião no Kremlin, Lula criticou as recentes políticas tarifárias impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que estabeleceu tarifas sobre produtos oriundos de mais de 180 países, incluindo o Brasil. Até o momento, o governo brasileiro não anunciou qualquer medida de retaliação contra os Estados Unidos, que se mantém como o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China.
Lula expressou a importância de estreitar os laços entre Brasil e Rússia, enfatizando o potencial para ampliar a cooperação nas áreas de defesa, ciência e tecnologia, educação e energia. Ele afirmou: "As últimas decisões anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos de taxação de comércio com todos os países do mundo, de forma unilateral, joga por terra a grande ideia do livre comércio". O presidente também ressaltou que sua visita tinha como objetivo fortalecer uma parceria estratégica entre as duas nações.
O chefe do Executivo brasileiro destacou a necessidade de equilibrar a balança comercial com a Rússia, reconhecendo que o Brasil possui um déficit significativo nas trocas comerciais com o país. Com um volume de negócios estimado em US$ 12,5 bilhões, Lula classificou essa relação como insatisfatória para o Brasil. Ele destacou que ambos os países são membros fundadores do Brics e fazem parte do Sul Global, enfatizando a oportunidade histórica para expandir as relações comerciais.
A viagem de Lula foi alvo de críticas por parte de políticos opositores. O presidente russo aproveitou as comemorações do Dia da Vitória — que marca a rendição da Alemanha nazista — para demonstrar apoio político em um momento marcado pela condenação ocidental à sua postura frente à invasão da Ucrânia. Apesar das críticas recebidas pelo apoio implícito à Rússia no conflito ucraniano, Lula defende uma abordagem diplomática para alcançar um acordo entre as partes envolvidas.
Em meio à controvérsia gerada pela viagem presidencial, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro defendeu a iniciativa de Lula, argumentando que é fundamental manter um diálogo ativo com potências globais em tempos desafiadores. O Itamaraty afirmou que a viagem busca contribuir para soluções pacíficas em conflitos internacionais e posiciona o Brasil como um ator disposto a intermediar negociações no contexto global.
A atuação brasileira na arena internacional permanece sob vigilância e debate, refletindo as complexidades das relações exteriores contemporâneas.
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