A proposta surge em meio a esforços diplomáticos dos EUA para resolver o conflito que dura mais de três anos

por Marina Milani
Publicado em 28/03/2025, às 12h55
Na última sexta-feira (28), o presidente russo, Vladimir Putin, levantou a possibilidade de estabelecer uma "administração transitória" na Ucrânia, com supervisão das Nações Unidas, com o objetivo de organizar uma eleição presidencial considerada "democrática" e, posteriormente, negociar um acordo de paz com as novas autoridades ucranianas. Essa proposta surge em um contexto de esforços diplomáticos dos Estados Unidos para encontrar uma solução rápida para um conflito que já perdura há mais de três anos.
As declarações de Putin foram feitas durante uma visita à cidade de Murmansk, situada no noroeste da Rússia, e ocorreram logo após uma semana marcada por reuniões diplomáticas entre os Estados Unidos e representantes da Ucrânia e da Rússia na Arábia Saudita.
"Poderíamos discutir, naturalmente, com os Estados Unidos, assim como com países europeus e nossos parceiros e amigos, sob a égide da ONU, a viabilidade de criar uma administração transitória na Ucrânia", afirmou o presidente russo.
Putin acrescentou que essa administração teria como finalidade organizar uma eleição presidencial que resultasse na formação de um governo competente e que contasse com a confiança popular. O chefe de Estado também ressaltou a intenção de iniciar negociações sobre um acordo de paz com essas novas autoridades ucranianas. Ele mencionou que já houve precedentes de administrações transitórias sob as atividades de manutenção da paz da ONU.
A proposta russa ocorre em meio a recentes desenvolvimentos nas negociações para reduzir as hostilidades no Mar Negro, conforme anunciado pelo governo dos EUA. No entanto, a Rússia estabeleceu como condição para qualquer acordo o levantamento das sanções ocidentais impostas a Moscou. Em uma reunião ocorrida em Paris na quinta-feira anterior, aliados europeus da Ucrânia descartaram a possibilidade de suspender essas sanções e debateram garantias de segurança para o país, embora não tenham chegado a um consenso sobre o envio de tropas para missões de paz.
A ascensão potencial de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos novamente gerou preocupações entre a Ucrânia e seus aliados europeus sobre a possibilidade de um acordo que favoreça os interesses russos. Durante seu encontro matinal com militares em Murmansk, Putin enfatizou que suas forças armadas mantêm a "iniciativa estratégica" em toda a linha de combate. "Há razões para acreditar que vamos superar eles", declarou Putin confiante.
O presidente russo ainda observou que as operações estão progredindo continuamente, embora talvez não tão rapidamente quanto desejado. Ele reafirmou o compromisso em alcançar todos os objetivos estabelecidos no início da ofensiva militar lançada em fevereiro de 2022. Na ocasião, Moscou justificou sua ação afirmando a necessidade de "desmilitarizar" e "desnazificar" a Ucrânia, cuja aproximação com a OTAN é vista por eles como uma ameaça direta aos interesses russos.
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