Retorno do predador ao Chaco argentino já provoca mudanças na cadeia alimentar e simboliza avanço da conservação na América do Sul

Redação Publicado em 28/04/2026, às 09h53
A reintrodução da lontra-gigante no norte da Argentina, após mais de 110 anos, marca um avanço significativo na conservação ambiental, promovendo a recuperação do bioma do Chaco afetado pela caça e destruição de habitats.
A presença da lontra-gigante, um predador de topo, está gerando um 'efeito cascata trófica', alterando o comportamento de outras espécies e aumentando a biodiversidade, como evidenciado pelo surgimento de mais aves aquáticas na região.
Embora os resultados iniciais sejam promissores, a continuidade do projeto depende de ações como o combate à caça ilegal e a preservação dos rios, além da criação de corredores ecológicos para garantir a sobrevivência da espécie.
Um acontecimento considerado histórico para a conservação ambiental está chamando a atenção de cientistas e ambientalistas: a reintrodução da lontra-gigante no norte da Argentina, após mais de 110 anos sem registros na região.
A espécie, que havia desaparecido do bioma do Chaco no início do século XX devido à caça predatória e à destruição de habitats, voltou a ocupar áreas próximas ao rio Bermejo como parte de um projeto liderado pela Fundação Rewilding Argentina.
Conhecida por seu papel como predadora de topo, a lontra-gigante exerce influência direta no equilíbrio ecológico. Sua ausência ao longo de décadas gerou impactos significativos, como o crescimento descontrolado de populações de peixes e alterações nos ambientes aquáticos.
Agora, com o retorno da espécie, pesquisadores já observam o chamado “efeito cascata trófica”, fenômeno em que a presença de um predador reorganiza toda a cadeia alimentar. Em poucas semanas, foram registradas mudanças no comportamento de outras espécies, incluindo o aumento da presença de aves aquáticas nas áreas frequentadas pelas lontras.
Além de regular populações, a lontra também modifica fisicamente o ambiente. Ao escavar tocas e criar trilhas nas margens dos rios, contribui para a formação de novos micro-habitats, favorecendo ainda mais a biodiversidade local.
O caso é apontado como um exemplo bem-sucedido da estratégia de “rewilding”, que busca restaurar ecossistemas por meio da reintrodução de espécies-chave. Especialistas destacam que iniciativas desse tipo têm potencial para revitalizar biomas inteiros em um curto período.
Apesar dos resultados positivos, o sucesso a longo prazo ainda depende de medidas contínuas, como combate à caça ilegal, preservação dos rios e criação de corredores ecológicos que garantam a sobrevivência da espécie.
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