Representantes do Hamas afirmam que o conflito chegou ao fim, enquanto Israel inicia a retirada das Forças de Defesa

Gabriela Thier Publicado em 10/10/2025, às 15h18
O governo de Israel autorizou, nas primeiras horas da manhã, a implementação inicial do acordo de cessar-fogo em Gaza, com as Forças de Defesa de Israel (IDF) iniciando a retirada do território. Embora algumas especificidades do pacto ainda estejam em aberto, representantes do Hamas afirmaram ter recebido garantias por parte dos Estados Unidos e mediadores internacionais de que o conflito chegou ao fim.
A concretização desta fase inicial do acordo sinaliza a suspensão das hostilidades e a promessa de libertação dos reféns detidos em Gaza.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, comunicou através da plataforma X que "o governo acaba de aprovar o acordo para a libertação de todos os reféns - tanto os vivos quanto os mortos". Após a autorização, o cessar-fogo na Faixa de Gaza foi oficialmente instaurado às 12h, conforme informações divulgadas pelo Exército israelense.
"A partir do meio-dia, as tropas das Forças de Defesa de Israel começaram a se reposicionar segundo as novas linhas definidas, em preparação para o cessar-fogo e o retorno dos reféns", acrescentou o comunicado.
Ainda que algumas questões permaneçam sem resposta, o líder do Hamas afirmou ter recebido confirmações dos EUA e dos mediadores sobre o término total das hostilidades.
As Forças de Defesa de Israel estão se retirando das áreas ocupadas no enclave. Segundo um porta-voz da Defesa Civil de Gaza, as tropas israelenses já se afastaram de várias regiões da Cidade de Gaza. "As forças israelenses deixaram várias áreas em Gaza", declarou Mohammad Al-Mughayyir, diretor do Departamento de Ajuda Humanitária e Cooperação Internacional da organização.
Em Khan Younis, localizado no sul da Faixa de Gaza, foi relatado que "os veículos israelenses recuaram das partes sul e central da cidade em direção à zona leste", conforme detalhou Al-Mughayyir.
O acordo foi assinado na noite da quarta-feira (8) no Egito e faz parte de um plano abrangente de paz com 20 pontos para a região, anunciado pelo presidente americano Donald Trump em 29 de setembro.
Conforme os termos do acordo, Israel tem um período de 24 horas para realizar sua retirada na área, mantendo contudo o controle sobre 53% da Faixa de Gaza. O Hamas deve liberar os reféns em até 72 horas. Após esse período, Israel será obrigado a soltar 2 mil prisioneiros palestinos. Das 251 pessoas sequestradas durante o ataque em 7 de outubro de 2023, 47 ainda permanecem como reféns; entre elas, pelo menos 25 foram confirmadas como mortas pelas autoridades israelenses.
Além disso, com a vigência do acordo, está autorizada a entrada diária de até 400 caminhões com ajuda humanitária em Gaza.
Em relação aos próximos passos, as discussões para a segunda fase do plano proposto por Trump devem iniciar imediatamente após a finalização da primeira fase do acordo, conforme indicado por um representante do Hamas.
Esta fase seguinte envolve desarmar o Hamas e concluir a retirada das tropas israelenses. Trump assegurou que esses passos ocorrerão, embora não tenha fornecido um cronograma específico. A segunda fase promete ser mais desafiadora devido às repetidas rejeições por parte do movimento palestino às demandas israelenses.
O plano também inclui a formação de um "comitê de paz", liderado pelo próprio Trump, encarregado de supervisionar um governo transitório em Gaza.
Duzentos soldados americanos serão enviados a Israel para monitorar e observar a implementação deste acordo de paz. Contudo, não há previsão para o envio dessas tropas ao território palestino.
Por fim, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA está estabelecendo uma task-force ou Centro de Coordenação Civil-Militar (CMCC) para facilitar o fluxo assistencial para Gaza, incluindo medidas de segurança e ajuda humanitária, conforme afirmaram fontes oficiais dos EUA.
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