Focos de incêndio se concentram nas regiões de Ñuble e Biobío, onde milhares deixaram suas casas

Gabriela Nogueira Publicado em 18/01/2026, às 10h15
O governo do Chile decretou estado de catástrofe em duas regiões do sul do país após a intensificação de incêndios florestais que já provocaram a evacuação de aproximadamente 20 mil pessoas. A medida foi anunciada na madrugada deste domingo (18) pelo presidente Gabriel Boric, diante do avanço das chamas sobre áreas urbanas e do risco à população.
As regiões de Ñuble e Biobío concentram a situação mais delicada. Segundo as autoridades, ao menos 19 focos de incêndio seguem ativos em diferentes pontos do território chileno, sendo 12 apenas nessas duas regiões, localizadas a cerca de 500 quilômetros ao sul da capital, Santiago. Brigadistas florestais, bombeiros e equipes de emergência atuam de forma contínua para conter o fogo.
Imagens exibidas pela televisão local mostram ruas tomadas por fumaça, veículos queimados e o avanço das chamas próximo a residências, especialmente nos municípios de Penco e Lirquén, onde vivem cerca de 60 mil pessoas. Nessas áreas, as evacuações foram intensificadas ao longo do sábado, diante do agravamento do cenário.
De acordo com o Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres, a prioridade tem sido retirar moradores das zonas mais ameaçadas e garantir abrigos temporários. Até o momento, não há um balanço oficial sobre feridos, mortos ou o número de casas atingidas, mas as autoridades alertam que a situação segue instável.
Em mensagem divulgada nas redes sociais, Boric afirmou que todos os recursos do Estado estão à disposição para enfrentar a emergência. O estado de catástrofe permite maior mobilização das Forças Armadas, liberação de verbas e adoção de medidas excepcionais para acelerar o apoio às regiões afetadas.
Os incêndios florestais voltam a expor a vulnerabilidade do centro-sul do Chile, área que nos últimos anos tem enfrentado verões mais quentes e secos. Em 2024, uma série de focos simultâneos na região de Viña del Mar deixou mais de uma centena de mortos e milhares de desabrigados, em um dos episódios mais trágicos da história recente do país.
Enquanto as equipes seguem no combate às chamas, o governo chileno pede que a população respeite as ordens de evacuação e evite circular em áreas de risco. A previsão é de que as próximas horas sejam decisivas para tentar conter o avanço do fogo.
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