O governo brasileiro está em alerta e deve se colocar contra o que classifica de “sanções seletivas” que podem vir a ser adotadas por outros países contra a

Redação Publicado em 28/02/2022, às 00h00 - Atualizado às 13h46
O governo brasileiro está em alerta e deve se colocar contra o que classifica de “sanções seletivas” que podem vir a ser adotadas por outros países contra a Rússia e que prejudiquem o Brasil.
A principal preocupação é que essas medidas inviabilizem a importação de fertilizantes e de trigo da Rússia pelo Brasil, tema que foi discutido durante o encontro do presidente Jair Bolsonaro com Vladimir Putin.
O temor de diplomatas brasileiros é que as potências que discutem as sanções contra a Rússia optem por restrições “convenientes” para elas. Ou seja, que não impliquem em grandes prejuízos para suas próprias economias, mas que podem ter reflexos muito negativos para outros países, entre eles o Brasil.

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Assessores presidenciais citaram como exemplo as sanções financeiras já anunciadas, como a que bloqueou o acesso de alguns dos mais importantes bancos russos ao Swift, sistema de comunicação que facilita e agiliza pagamentos e transações internacionais.
Essa sanção envolvendo o Swift não deve, por exemplo, afetar o fornecimento de gás natural da Rússia para a Alemanha, país que enfrenta uma crise energética. Isso porque existe uma câmara de compensação específica para pagar gás.
Entretanto, o governo Bolsonaro teme que essa sanção possa inviabilizar a importação de fertilizantes da Rússia pelo Brasil, fundamental para a produção na próxima safra agrícola.
No domingo (27), durante o voto em que se mostrou a favor da discussão do conflito na Assembleia Geral da ONU, o representante do Brasil no Conselho de Segurança, o embaixador Ronaldo Costa Filho, já havia manifestado essa preocupação.
Ao defender uma saída diplomática para o conflito entre Rússia e Ucrânia, o embaixador criticou o que ele chamou de “sanções seletivas” que podem “afetar setores de fertilizantes e trigo”.
Segundo diplomatas brasileiros, o país não irá apoiar uma sanção que venha a atingir essas áreas. Eles lembram que isso deveria ser de interesse do mundo todo, já que o Brasil é responsável hoje pelo fornecimento de alimentos para muitos países.
Também no domingo, o presidente Jair Bolsonaro voltou a se manifestar contra sanções que possam atingir a compra desses produtos pelo Brasil.
Ao tratar do tema, Bolsonaro disse que o Brasil não vai votar atrelado a nenhuma potência e terá um voto livre, de acordo com seus interesses.
A dúvida, agora, é se o governo brasileiro vai recuar na condenação à invasão russa da Ucrânia, feita no Conselho de Segurança da ONU. Em suas declarações, o presidente colocou essa questão em dúvida.
Segundo diplomatas, o que o presidente quer destacar é que o Brasil tem interesse numa solução diplomática rápida para o conflito. Só que as declarações de Bolsonaro estão sendo vistas como uma posição mais pró-Vladimir Putin, e isso pode prejudicar as relações do Brasil com Estados Unidos e países europeus.
Por isso, as atenções estarão voltadas nesta segunda-feira (28) para o voto que o embaixador Ronaldo Costa Filho irá pronunciar na reunião da Assembleia Geral da ONU, convocada para discutir o conflito entre Rússia e Ucrânia.
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G1
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