Especialistas duvidam da eficácia das medidas contra Putin

Gabriela Thier Publicado em 23/01/2025, às 15h42
Na última quinta-feira (23), o governo russo se manifestou a respeito das recentes ameaças proferidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em uma declaração através da rede Truth Social, Trump havia alertado que a Rússiaenfrentaria tarifas e novas sanções caso não se chegasse a um entendimento em até 100 dias sobre a guerra na Ucrânia.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, minimizou as declarações de Trump, afirmando que não há novidades significativas nas palavras do presidente. "Desde seu primeiro mandato, está claro que ele tem uma inclinação por sanções. No entanto, seguimos monitorando suas declarações com atenção", disse Peskov. Ele também reiterou a disposição da Rússia para manter um diálogo construtivo e respeitoso.
Trump argumentou que a economia russa enfrenta sérios problemas e que um acordo para encerrar a guerra seria um favor ao presidente Putin. Em sua postagem, ele enfatizou: "Se não chegarmos a um 'acordo' em breve, não terei outra escolha senão aplicar altos impostos, tarifas e sanções a tudo que for vendido pela Rússia aos Estados Unidos e outros países aliados. Vamos pôr fim a esta guerra, que nunca teria começado se eu estivesse na presidência".
Apesar das ameaças econômicas de Trump, especialistas apontam que há poucos sinais de que tais medidas poderiam levar Putin a recuar. Atualmente, as exportações russas para os Estados Unidos são bastante limitadas, abrangendo principalmente pequenas quantidades de fertilizantes e maquinário. De acordo com dados da Bloomberg, em 2023 os EUA importaram cerca de US$4,6 bilhões em produtos russos, representando menos de 0,2% do total das importações norte-americanas.
Além disso, a Rússia já é uma das nações mais sancionadas do planeta. As sanções impostas pelos EUA desde o início da guerra na Ucrânia durante o governo Biden se somam às várias restrições já estabelecidas em mandatos anteriores, incluindo o primeiro mandato de Trump. Até o momento, essas sanções demonstraram pouco ou nenhum efeito sobre as ações do Kremlin.
Em relação ao apoio militar à Ucrânia, o atual presidente dos EUA não confirmou se seguirá a mesma política de seu antecessor. Durante uma coletiva de imprensa na terça-feira anterior, Biden mencionou estar analisando essa questão e ressaltou que conversará com o presidente ucraniano Volodimir Zelenski e com Putin em breve.
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