Projeto de lei tem causado polêmica e revolta entre as profissionais

Bianca Souza Publicado em 19/10/2022, às 11h34
Um novo projeto de lei, ainda em tramitação na Espanha, proíbe o exercício da atividade sexual remunerada. Diante da possível criminalização, profissionais do sexo ameaçaram divulgar a identidade de parlamentares que frequentam locais nos quais as mulheres trabalham, caso a lei seja aprovada.
Susana Pastor, uma das líderes da Associação de Trabalho Sexual do país, revelou em entrevista que não vê problema em denunciar os clientes políticos.
"Se os políticos não se importam com a vida das 150 mil famílias que vivem hoje no setor da prostituição, por que devemos nos preocupar com os problemas que causamos ao nomear suas famílias? Eu não gostaria de chegar a isso, mas vê-se a pressão de ficar na rua e não poder trabalhar", contou.
Segundo Susana, um quantidade expressiva de famílias seriam prejudicadas caso lei seja aprovada. De acordo com o portal espanhol 'Semana', as mulheres estariam realizando reuniões com diferentes partidos para que os direitos sejam levados em consideração.
Ainda de acordo com o relato de Susana, as profissionais já tem os nomes de diversos políticos nacionais que freguentam e solicitaram serviços sexuais. Ela espera que, com a ameaça, possa pressionar os partidos para uma discussão mais abrangente.
Em um trecho da entrevista concedida por Susana ao jornal 'The Objective', a mulher afirma que, se as garotas de programa fossem legalizadas, pagariam a dívida espanhola.
"Chega de hipocrisia, e vamos pensar nessas 150 mil pessoas que trabalham no setor. Se fôssemos legalizados e pagássemos impostos, pagaríamos a dívida da Espanha", disse.
A proposta de lei prevê uma penalização para quem forneça um local específico para exercício da prostituição. Além disso, também prevê prisão à quem solicite o serviço.
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