Após encontro no Paquistão, delegações trocam documentos e aprofundam discussões em áreas estratégicas

Erika Osti Publicado em 11/04/2026, às 16h39
As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã avançaram neste sábado (11), em Islamabad, com a conclusão da primeira fase de diálogos e o início de uma etapa técnica considerada decisiva. Apesar do progresso, o processo é marcado por forte desconfiança entre as partes, que ainda mantêm posições distantes sobre pontos centrais de um possível acordo.
Ao fim do encontro, as delegações trocaram documentos com os principais consensos alcançados ao longo do dia. A partir de agora, especialistas das áreas econômica, militar, jurídica e nuclear passam a detalhar propostas e tentar reduzir divergências. As conversas continuam e podem se estender até domingo (12), segundo fontes oficiais.
O encontro ocorre sob mediação do Paquistão, cujo primeiro-ministro, Shehbaz Sharif, recebeu representantes dos dois países e afirmou que trabalha para avançar rumo a uma solução duradoura para o conflito.
As delegações são lideradas pelo vice-presidente americano, JD Vance, e pelo chanceler iraniano, Abbas Araghchi, além do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. A equipe do Irã reúne mais de 70 integrantes, entre negociadores e especialistas.
Mesmo com o avanço, o clima é de cautela. “Temos boas intenções, mas não confiamos”, afirmou Ghalibaf ao chegar à capital paquistanesa, refletindo a posição de Teerã após um histórico de negociações frustradas. Do lado americano, Vance também sinalizou reservas e afirmou que os Estados Unidos esperam negociações “de boa-fé”.
O diálogo acontece após seis semanas de conflito, marcadas por bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos e por ataques de retaliação de Teerã contra Israel e países do Golfo. A recente trégua abriu espaço para as tratativas, mas não eliminou as tensões.
Entre os principais impasses está o controle do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Washington defende a reabertura imediata da passagem, enquanto o Irã resiste e tenta manter influência sobre a região. Além disso, Teerã exige o fim das sanções econômicas e a ampliação do cessar-fogo para o Líbano, onde o grupo Hezbollah, aliado iraniano, segue em confronto com Israel.
Já os Estados Unidos colocam como prioridade impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, condição considerada central para qualquer acordo. O governo iraniano, por sua vez, nega essa intenção e afirma que seu programa tem fins exclusivamente civis.
O cenário regional também pressiona as negociações. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a ofensiva militar contra o Irã ainda não terminou, enquanto ataques israelenses continuam no Líbano, mesmo durante a trégua parcial.
Diante desse quadro, diplomatas trabalham para transformar o avanço inicial em um acordo concreto, mas reconhecem que o caminho ainda é incerto. A fase técnica deve ser determinante para definir se o diálogo evoluirá para um entendimento duradouro ou se as divergências voltarão a travar as negociações.
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