Os EUA, que antes contribuíam com 20% do orçamento da Unesco, agora representam apenas 8% após a nova retirada

Gabriela Thier Publicado em 22/07/2025, às 18h28
Nesta terça-feira (22), os Estados Unidos formalizaram sua saída da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), localizada em Paris. A decisão foi tomada com base na avaliação de que a continuidade da participação americana na entidade não atende aos interesses nacionais, conforme noticiado pelo New York Post.
Esta ação segue-se à retirada anterior dos EUA da Organização Mundial da Saúde (OMS) e à suspensão do financiamento de ajuda internacional, marcando a segunda vez que o país se retira da Unesco sob a administração de Donald Trump. Em outubro de 2017, os EUA já haviam abandonado a organização, decisão que foi revertida por Joe Biden em junho de 2023.
Em um comunicado, a porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, destacou que "a Unesco tem se concentrado em causas sociais e culturais que geram divisões, mantendo um foco desproporcional nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU". Segundo ela, essa abordagem contrasta com a política externa do governo americano, que prioriza os interesses nacionais.
A justificativa para essa retirada inclui críticas às posturas da Unesco em relação a Israel e o apoio a questões consideradas divisórias. Bruce afirmou: "A decisão da Unesco de admitir o Estado da Palestina como membro é problemática e contradiz as políticas dos Estados Unidos, contribuindo para um ambiente hostil a Israel dentro da organização".
Durante entrevista ao New York Post, a vice-porta-voz Anne Kelly reiterou o compromisso de Trump em priorizar os interesses dos EUA nas organizações internacionais. Ela destacou que a decisão de retirar-se da Unesco reflete uma discordância com as políticas promovidas pela organização.
A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, expressou seu pesar pela decisão dos EUA. Em declaração oficial, ela afirmou: "Embora seja lamentável, este anúncio era esperado e a Unesco estava preparada para isso". A diretora reconheceu o impacto que essa retirada pode ter nas operações da organização, mas acredita que as consequências serão menos significativas do que no passado, pois a Unesco já se adaptou à ausência de um dos seus membros fundadores anteriormente.
Atualmente, os Estados Unidos representam aproximadamente 8% do orçamento total da Unesco, um valor bem abaixo dos cerca de 20% que contribuíam antes da primeira retirada. Com essa nova decisão, o governo Trump reafirma sua intenção de revisar e possivelmente reestruturar o envolvimento dos EUA em várias agências das Nações Unidas.
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