Washington afirma que nova ofensiva busca reduzir a capacidade militar iraniana no Estreito de Ormuz; mídia estatal do Irã relata explosões em várias regiões, enquanto Teerã fala em mortos, feridos e retaliações contra alvos ligados aos EUA no Golfo.

Ana Beatriz Silva Publicado em 16/07/2026, às 18h34
Os Estados Unidos intensificaram os ataques ao Irã, visando degradar suas capacidades militares, em meio a uma escalada de tensões no Oriente Médio que já resultou em pelo menos 35 mortes e mais de 300 feridos, segundo autoridades iranianas.
Os ataques, que atingiram áreas estratégicas como o Estreito de Ormuz e regiões próximas a Teerã, refletem a disputa pelo controle de rotas marítimas essenciais para o transporte de petróleo e gás, com os EUA alegando que suas ações visam proteger embarcações comerciais.
Em resposta, o Irã lançou ataques com drones e mísseis contra aliados dos EUA na região, enquanto a situação continua a se deteriorar, afetando o fluxo de cargas e elevando os preços do petróleo, com o presidente Trump sugerindo que ainda há espaço para negociações diplomáticas.
Os Estados Unidos lançaram uma nova onda de ataques contra o Irã nesta quinta-feira, 16, em mais uma escalada do conflito que voltou a colocar o Oriente Médio em alerta máximo. Segundo o Comando Central dos EUA, a ofensiva começou às 14h, no horário de Washington, com o objetivo declarado de “degradar ainda mais” as capacidades militares iranianas.
A operação ocorre em meio a uma sequência de ataques norte-americanos contra estruturas militares iranianas e a relatos de explosões em diferentes pontos do país. A mídia estatal iraniana informou que houve explosões em cidades como Bandar Abbas, Chabahar, Rask e Ahvaz, além de relatos de acionamento de defesas aéreas em Teerã.
De acordo com a CNN Brasil, o Ministério da Saúde do Irã afirma que os ataques mais recentes dos Estados Unidos deixaram ao menos 35 mortos e mais de 300 feridos. Entre as vítimas fatais estariam duas mulheres e um adolescente, segundo o porta-voz Hossein Kermanpour.
A ofensiva norte-americana tem como pano de fundo a disputa pelo Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás. Washington afirma que os ataques miram capacidades iranianas usadas para ameaçar embarcações comerciais na região. O Comando Central dos EUA já havia informado, em comunicado anterior, que atingiu sistemas de defesa aérea, radares costeiros, capacidades de mísseis e drones, além de pequenas embarcações iranianas.
A agência Associated Press informou que os ataques desta quinta atingiram áreas mais ao norte do Irã, incluindo regiões próximas a Teerã e à província de Semnan, associada ao programa iraniano de mísseis balísticos e ao setor espacial. Também foram relatados ataques em Hormozgan, Khuzestan, Lorestan, Markazi, Sistan e Baluchistão, além da ilha de Qeshm, localizada perto do Estreito de Ormuz.
Em Bandar Abbas, cidade portuária estratégica no sul do Irã, a mídia estatal iraniana relatou danos e feridos em áreas residenciais e de infraestrutura. Segundo a AP, sete pessoas ficaram feridas em um ataque no bairro residencial de Allah-Akbar Hill, outras duas foram feridas em uma estação ferroviária da cidade e duas pontes a oeste de Bandar Abbas também teriam sido atingidas, com dois mortos e quatro feridos.
A ilha de Greater Tunb também entrou na mira dos EUA. O local tem importância militar e estratégica por estar próximo à entrada do Estreito de Ormuz. Segundo o Comando Central dos EUA, os ataques contra a ilha atingiram posições de defesa costeira e estruturas ligadas a mísseis.
O Irã respondeu com ataques de drones e mísseis contra países aliados dos Estados Unidos na região. Autoridades de Bahrain, Jordânia e Kuwait relataram ações iranianas contra instalações ou alvos próximos a forças norte-americanas. Até o momento, não havia confirmação imediata de danos ou vítimas nas ações retaliatórias iranianas.
No Kuwait, as forças de defesa afirmaram ter interceptado mísseis de cruzeiro e drones hostis, enquanto Bahrain acionou sirenes de alerta aéreo. A Jordânia também informou ter interceptado projéteis lançados a partir do Irã, em um sinal de que o conflito já ultrapassa a fronteira direta entre Washington e Teerã e pressiona toda a arquitetura de segurança do Golfo.
A tensão aumentou após o colapso de um cessar-fogo provisório negociado no mês passado. Desde então, Estados Unidos e Irã passaram a trocar ataques quase diários, especialmente em torno do Estreito de Ormuz. Autoridades iranianas afirmam que a interferência norte-americana na região é uma “linha vermelha”, enquanto Washington sustenta que atua para garantir a liberdade de navegação e proteger navios comerciais.
A crise também tem impacto direto na economia global. A AP informou que o fluxo semanal de cargas pelo Estreito de Ormuz caiu quase um quarto no início do mês, enquanto o petróleo Brent passou a ser negociado acima de US$ 85 o barril, em meio ao risco de interrupção no transporte marítimo de energia.
Apesar da intensificação militar, o presidente Donald Trump afirmou que ainda vê possibilidade de acordo com Teerã. Segundo a AP, Trump disse que os iranianos “querem resolver”, mas também indicou que os EUA podem ampliar a ofensiva caso não haja avanço diplomático.
O cenário permanece altamente volátil. Em conflitos ativos, informações sobre vítimas, alvos e danos materiais costumam depender de comunicados oficiais, relatos de mídia estatal e declarações militares, o que dificulta a verificação independente em tempo real. Ainda assim, a sequência de ataques mostra que a crise entre Estados Unidos e Irã entrou em uma fase mais perigosa, com risco de arrastar aliados regionais, pressionar o mercado global de energia e transformar o Estreito de Ormuz no centro de uma disputa militar de consequências imprevisíveis.
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