Diário de São Paulo
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Espanha e Argentina fazem na final da Copa o duelo que a Finalíssima não conseguiu entregar

Campeões da Euro e da Copa América deveriam ter se enfrentado em março, mas o jogo foi cancelado após impasse entre Uefa, Conmebol e AFA. Agora, Messi e Lamine Yamal se encontram no palco mais importante do futebol mundial.

Messi e Lamine Yamal foram os rostos da Finalíssima que nunca aconteceu entre Argentina e Espanha - Imagem: Reprodução
Messi e Lamine Yamal foram os rostos da Finalíssima que nunca aconteceu entre Argentina e Espanha - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Silva Publicado em 16/07/2026, às 17h39


A final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina, marcada para 19 de julho em Nova Jersey, representa um reencontro adiado devido ao cancelamento da Finalíssima, que deveria ocorrer em março de 2026 no Catar, por impasses políticos e logísticos.

A Argentina, atual campeã mundial e da Copa América 2024, chega à final com uma campanha perfeita, enquanto a Espanha, campeã da Euro 2024, se destaca por sua defesa sólida e uma invencibilidade de 37 partidas.

O cancelamento da Finalíssima, que visava reunir campeões da Uefa e Conmebol, transformou o confronto em um evento maior, simbolizando não apenas a disputa pelo título mundial, mas também a rivalidade histórica entre as duas seleções.

A final da Copa do Mundo de 2026 terá peso de decisão mundial e também sabor de reencontro adiado. Espanha e Argentina se enfrentam no domingo, 19 de julho, às 16h, no horário de Brasília, em Nova Jersey, em um duelo que já estava previsto para acontecer meses antes, mas que nunca saiu do papel. A partida que deveria valer a Finalíssima, torneio entre os campeões da Eurocopa e da Copa América, acabou cancelada após uma sequência de impasses políticos, logísticos e esportivos.

O confronto coloca frente a frente a Espanha, campeã da Euro 2024, e a Argentina, campeã da Copa América 2024 e atual campeã mundial. A ideia original era que as duas seleções se enfrentassem em 27 de março de 2026, no estádio Lusail, no Catar, o mesmo palco da final da Copa de 2022, quando Lionel Messi liderou os argentinos no título sobre a França.

O jogo, porém, foi cancelado por causa da situação política no Oriente Médio e pela falta de acordo sobre uma nova sede e uma nova data. Segundo a Uefa, a partida não poderia ser realizada no Catar no dia inicialmente previsto e a entidade tentou alternativas para manter o evento. Uma das opções era levar a Finalíssima para o Santiago Bernabéu, em Madri, mantendo o dia 27 de março e dividindo a carga de ingressos igualmente entre torcedores das duas seleções. A proposta foi recusada pela Argentina.

A Uefa também colocou na mesa a possibilidade de realizar a Finalíssima em dois jogos, um em Madri e outro em Buenos Aires, antes da Euro e da Copa América de 2028. Outra alternativa era uma partida única em campo neutro na Europa, no dia 27 ou no dia 30 de março. De acordo com a entidade europeia, a AFA informou que só teria disponibilidade para jogar em 31 de março, data considerada inviável. A Argentina ainda sugeriu que o duelo fosse realizado depois da Copa do Mundo, mas a Uefa alegou que a Espanha não teria datas disponíveis.

Do outro lado, Conmebol e AFA apresentaram uma leitura diferente do impasse. As entidades sustentaram que sempre aceitaram disputar a partida em campo neutro, mas consideraram que um jogo único em Madri quebraria o princípio de equilíbrio esportivo. Segundo a versão sul americana, houve uma proposta para realizar o confronto em campo neutro na Itália em 27 de março, mas a Argentina pediu a data de 31 de março. Como não houve acordo, a Finalíssima foi encerrada antes mesmo de começar.

Meses depois, o futebol tratou de recolocar Espanha e Argentina frente a frente. Não por um troféu intercontinental criado para aproximar Uefa e Conmebol, mas pela taça mais desejada do esporte. A final de domingo transforma um jogo cancelado em um evento maior, com roteiro de Copa, tensão de decisão e personagens capazes de atravessar gerações.

De um lado está Lionel Messi, que aos 39 anos conduz a Argentina em busca de um feito histórico. A seleção sul americana tenta conquistar seu quarto título mundial e se tornar a primeira bicampeã consecutiva desde o Brasil de 1958 e 1962. A equipe de Lionel Scaloni chega à decisão com campanha perfeita, sete vitórias em sete jogos, 19 gols marcados e uma sequência de 13 partidas sem derrota em Copas do Mundo.

A campanha argentina também ganhou contornos dramáticos na semifinal. Contra a Inglaterra, em Atlanta, a equipe saiu atrás no placar, mas virou nos minutos finais. Enzo Fernández empatou aos 85 minutos, e Lautaro Martínez marcou o gol da classificação nos acréscimos, após assistência de Messi. A vitória por 2 a 1 colocou a Argentina em sua segunda final consecutiva de Copa.

Do outro lado está uma Espanha que chega com força coletiva, defesa sólida e o brilho de Lamine Yamal, uma das maiores atrações do torneio. A equipe europeia tem seis vitórias e um empate, marcou 13 gols e sofreu apenas um em toda a competição. A seleção espanhola também carrega uma invencibilidade de 37 partidas, somando jogos oficiais e amistosos, com 28 vitórias e nove empates desde a derrota para a Colômbia em março de 2024.

O contraste técnico ajuda a explicar o tamanho da decisão. A Argentina chega como o ataque mais produtivo da Copa, enquanto a Espanha aparece como a defesa mais eficiente. É um duelo entre a experiência de um grupo acostumado a finais e a ascensão de uma seleção que busca seu segundo título mundial, depois da conquista de 2010.

A final também ganhou uma narrativa simbólica em torno de Messi e Yamal. Em 2007, durante uma ação ligada ao Unicef, Messi participou de uma sessão de fotos em que apareceu ao lado de um bebê. O bebê era Lamine Yamal, que anos depois se tornaria uma das grandes estrelas do Barcelona e da seleção espanhola. Agora, os dois se reencontram em uma final de Copa do Mundo, em uma imagem quase improvável entre passado, presente e futuro do futebol.

A edição cancelada da Finalíssima seria uma espécie de prólogo para esse encontro. A competição foi criada como parte da parceria entre Uefa e Conmebol e reúne os campeões da Europa e da América do Sul. A Argentina venceu a edição inaugural do novo formato em 2022, ao bater a Itália por 3 a 0 em Wembley. Em 2026, o torneio não aconteceu, mas sua promessa acabou sendo absorvida pela própria Copa do Mundo.

Por isso, Espanha e Argentina não decidem apenas quem será campeã mundial. Decidem também o confronto que o calendário tentou organizar, mas não conseguiu. A Finalíssima frustrada virou finalíssima de verdade, com peso histórico, contexto político nos bastidores, disputa entre confederações e uma rivalidade esportiva que chega ao ponto máximo no maior palco possível.


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