Diário de São Paulo
Siga-nos

Edmundo González defende novas eleições na Venezuela para alcançar “democracia real”

Principal nome da oposição venezuelana voltou a questionar o resultado das eleições de 2024 e afirmou apoiar uma nova votação para restaurar a legitimidade democrática do país.

Edmundo González Urrutia voltou a defender novas eleições presidenciais na Venezuela e afirmou que o país precisa alcançar uma “democracia real” - Imagem: Reprodução
Edmundo González Urrutia voltou a defender novas eleições presidenciais na Venezuela e afirmou que o país precisa alcançar uma “democracia real” - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 30/05/2026, às 20h20


O líder opositor Edmundo González Urrutia defendeu novas eleições presidenciais na Venezuela, alegando que isso é essencial para uma 'democracia real', reforçando a contestação da oposição ao resultado das eleições de 2024, que proclamaram Nicolás Maduro como vencedor.

González, considerado o verdadeiro vencedor por muitos na oposição e por governos estrangeiros, fez suas declarações após a inelegibilidade de María Corina Machado, que havia vencido as prévias, e a controvérsia em torno da legitimidade do processo eleitoral de 2024, marcado por alegações de fraude.

Em resposta à crise, a oposição, incluindo um manifesto recente de líderes no Panamá, exige garantias para um novo pleito, enquanto González se compromete a transformar o suposto mandato popular em um processo de reconstrução democrática, aumentando a pressão sobre o governo de Maduro.

O líder opositor venezuelano Edmundo González Urrutia afirmou neste sábado (30) que apoia a realização de novas eleições presidenciais na Venezuela como caminho para alcançar uma “democracia real” no país. A declaração reforça a posição da oposição venezuelana, que segue contestando o resultado das eleições presidenciais de 2024, vencidas oficialmente por Nicolás Maduro.

González Urrutia, de 76 anos, é considerado pela oposição e por diversos governos estrangeiros como o verdadeiro vencedor da disputa eleitoral realizada em julho de 2024. O ex diplomata disputou a eleição após a inelegibilidade da líder opositora María Corina Machado, que havia vencido as prévias da oposição, mas foi impedida de concorrer pelas autoridades venezuelanas.

Atualmente exilado na Espanha após a emissão de uma ordem de prisão por parte do governo venezuelano, González divulgou uma mensagem em vídeo nas redes sociais em que declarou apoio ao movimento liderado por María Corina Machado em defesa de uma nova eleição presidencial. Segundo ele, a realização de um novo pleito seria uma forma de respeitar a vontade popular expressa pelos venezuelanos.

“Reconhecer a necessidade de um processo eleitoral presidencial, para mim, é honrar a vontade de todo um povo que quer liberdade”, afirmou González Urrutia.

A declaração acontece poucos dias após um encontro realizado no Panamá entre lideranças da oposição venezuelana. Ao final da reunião, María Corina Machado e outros representantes políticos divulgaram um manifesto defendendo uma transição democrática e a realização de eleições consideradas livres, transparentes e soberanas. O documento também pede garantias institucionais, observação internacional e maior liberdade política dentro da Venezuela.

Desde as eleições de 2024, a oposição sustenta que González venceu o pleito e acusa o governo de Nicolás Maduro de fraude eleitoral. A controvérsia se intensificou após o Conselho Nacional Eleitoral proclamar Maduro vencedor sem divulgar integralmente as atas detalhadas de votação, procedimento previsto pela legislação venezuelana. O governo alegou que seus sistemas sofreram um ataque cibernético durante a apuração.

Como resposta, grupos opositores divulgaram cópias de mais de 80% das atas eleitorais recolhidas por fiscais da oposição, argumentando que os documentos demonstrariam uma vitória expressiva de González Urrutia. O chavismo, por sua vez, rejeita a validade desses registros e mantém o reconhecimento do resultado oficial proclamado pelo órgão eleitoral.

A crise política venezuelana segue sendo acompanhada por governos e organismos internacionais. Diversos países questionaram a legitimidade do processo eleitoral de 2024, enquanto aliados históricos do governo Maduro continuam reconhecendo o resultado oficial.

Na nova declaração, González afirmou que seu compromisso é transformar o mandato que a oposição diz ter recebido nas urnas em um processo concreto de reconstrução democrática.

“O mandato de 28 de julho é da Venezuela. Eu sou seu guardião, não seu dono”, declarou o opositor ao defender a necessidade de um novo processo eleitoral.

O posicionamento aumenta a pressão política sobre o futuro institucional da Venezuela e recoloca no centro do debate internacional a possibilidade de uma nova eleição presidencial como saída para a prolongada crise política do país.


últimas notícias