Governo afirma que sistema político e liderança não estão em discussão nas conversas com Washington

Lívia Gennari Publicado em 22/03/2026, às 10h00
Cuba voltou a endurecer o tom contra os Estados Unidos ao rejeitar qualquer possibilidade de discutir mudanças em seu sistema político ou na liderança do país. A declaração ocorre após relatos de que Washington teria pressionado por uma eventual saída do presidente Miguel Díaz-Canel do poder.
Em coletiva de imprensa, o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossio, foi direto ao afirmar que não há margem para esse tipo de negociação. Segundo ele, a estrutura política da ilha e os cargos de suas autoridades não estão sujeitos a tratativas com os Estados Unidos. A fala reforça a posição histórica de Havana de rejeitar interferências externas em seus assuntos internos.
O sistema político de Cuba não está em negociação, e é claro que nem o presidente nem a posição de qualquer funcionário em Cuba estão sujeitos a negociações com os Estados Unidos", afirmou Cossio.
O posicionamento ocorre em meio a um cenário de forte tensão entre os dois países. Nos últimos dias, declarações do presidente norte-americano Donald Trump intensificaram o clima de confronto, incluindo ameaças e pressões relacionadas ao futuro político da ilha.
Plano de defesa nacional
Durante um ato público em Havana, Díaz-Canel afirmou que o país se prepara para possíveis ações mais agressivas por parte de Washington. O líder cubano disse que toda a pressão econômica e política já teria sido aplicada e que, na visão dos EUA, restariam medidas mais drásticas. Diante disso, o governo anunciou um plano de defesa baseado no conceito de mobilização nacional, descrito como uma estratégia essencialmente defensiva.
O presidente também destacou que a cúpula do país permanece unida. Segundo ele, as decisões seguem sendo tomadas de forma coletiva, com participação de lideranças históricas, como o general Raúl Castro, ainda influente no núcleo político.
Apesar do discurso firme, Havana reconheceu recentemente que mantém contatos com representantes americanos. As conversas, segundo o próprio Díaz-Canel, buscam tratar divergências entre os dois países, em meio ao agravamento da crise econômica impulsionada por sanções e restrições energéticas .
A atual escalada ocorre em um contexto mais amplo de pressão dos EUA sobre aliados regionais de Cuba e de endurecimento das sanções, que vêm agravando a escassez de combustível e a crise interna no país. Ainda assim, o governo cubano insiste que qualquer diálogo só será possível sob condições de respeito à soberania nacional e sem imposições externas.
Leia também

Dom Rafael perde direitos dinásticos após anunciar casamento

Motorista de Porsche morre após colisão contra mureta na Rodovia dos Imigrantes

Loja de fotografia é destruída por incêndio em Campinas; câmeras registram ação de suspeito

A Fazenda 18 já tem data de estreia; saiba qual

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Josh Grisetti, estrela de musicais da Broadway, morre aos 44 anos

Moraes suspende visitas de Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias e investiga possível propaganda eleitoral antecipada

Grupo quer Flávio longe de Lucas Bove; deputado é réu e defende "corrupto cristão"

São Paulo tem queda de casos graves ligados à influenza

Dino bloqueia R$ 6,15 milhões de Eduardo Cunha em apuração sobre emendas parlamentares