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Com Maduro preso, Venezuela inicia soltura de presos políticos e fala em gesto de paz

Medida ocorre após captura de Nicolás Maduro e marca primeira ação de distensão sob a gestão de Delcy Rodríguez.

Governo interino anuncia solturas como gesto de distensão após crise institucional - Imagem: AFP
Governo interino anuncia solturas como gesto de distensão após crise institucional - Imagem: AFP

Ana Beatriz Publicado em 09/01/2026, às 12h08


O governo interino da Venezuela anunciou, nesta quinta-feira, a libertação de um “número significativo” de presos políticos, em uma iniciativa classificada como um “gesto de paz unilateral”. A informação foi divulgada pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que afirmou que as solturas começaram imediatamente, embora não tenha informado quantas pessoas serão beneficiadas.

Segundo Rodríguez, a decisão não foi fruto de negociação formal com outros países ou organismos internacionais. Ainda assim, ele reconheceu a atuação de líderes do Brasil, da Espanha e do Catar como mediadores em diálogos recentes, que teriam contribuído para a construção de um ambiente favorável à medida.

A ação ocorre em um momento de profunda instabilidade política no país e representa a primeira iniciativa concreta de distensão desde que Delcy Rodríguez assumiu interinamente a Presidência, após a operação militar conduzida pelos Estados Unidos, no último dia 3 de janeiro, que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Maduro e Flores estão atualmente detidos em Nova York, onde respondem a diversos processos judiciais, incluindo acusações relacionadas a narcotráfico e crimes financeiros, segundo autoridades norte-americanas. A prisão do ex-presidente marcou uma virada inédita no cenário político venezuelano e gerou reações dentro e fora do país.

De acordo com o presidente da Assembleia Nacional, entre os libertados há cidadãos venezuelanos e estrangeiros, detidos por motivos políticos nos últimos anos. Organizações de direitos humanos vinham denunciando a existência de centenas de presos políticos no país, muitos deles mantidos sem julgamento ou em condições consideradas irregulares.

Analistas avaliam que a medida pode sinalizar uma tentativa do governo interino de reduzir o isolamento internacional, aliviar tensões internas e abrir espaço para negociações diplomáticas mais amplas. Ainda assim, entidades internacionais aguardam a divulgação de listas oficiais e a confirmação independente das libertações.

Até o momento, o governo venezuelano não detalhou se novas medidas de anistia ou revisão de processos judiciais estão em estudo.


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