Plataforma já é usada por cerca de 40% dos médicos dos Estados Unidos

Gabriela Nogueira Publicado em 26/01/2026, às 14h01
A inteligência artificial deixou de ser promessa e passou a ocupar um espaço concreto na rotina de médicos, pesquisadores e hospitais. Um dos exemplos mais claros desse avanço é a OpenEvidence, startup que ganhou o apelido de “ChatGPT para médicos” e acaba de entrar para o grupo das empresas mais valiosas do setor de tecnologia aplicada à saúde.
A companhia anunciou uma rodada de investimento de US$ 250 milhões liderada por fundos como Thrive Capital e DST, elevando seu valor de mercado para US$ 12 bilhões. O número chama atenção não apenas pelo tamanho, mas pela velocidade. Em menos de um ano, o valuation da empresa se multiplicou por 12, um salto raro mesmo no universo das startups de inteligência artificial.
Criada com foco exclusivo no ambiente médico, a OpenEvidence desenvolveu um chatbot treinado apenas com artigos científicos publicados em algumas das revistas mais respeitadas da área da saúde. A ferramenta permite que médicos encontrem respostas clínicas em poucos segundos, reduzindo um processo que antes exigia longas horas de leitura e pesquisa.
O crescimento do uso acompanha a escalada financeira. Hoje, cerca de 40% dos médicos dos Estados Unidos utilizam a plataforma, o equivalente a aproximadamente 740 mil profissionais. Só no mês de dezembro, foram registradas 18 milhões de buscas clínicas feitas dentro do sistema, um indicativo do nível de integração da ferramenta ao dia a dia dos consultórios.
A expansão também se reflete no faturamento. A OpenEvidence já ultrapassou US$ 100 milhões em receita anual, construída quase totalmente de forma orgânica, impulsionada pela adesão espontânea de médicos e instituições. O alvo é um mercado gigantesco: o setor de saúde representa cerca de 20% do PIB dos Estados Unidos, com gastos anuais que chegam a US$ 5 trilhões.
O sucesso da startup ajuda a explicar por que grandes nomes da tecnologia aceleraram suas próprias apostas nesse segmento. Empresas como OpenAI e Anthropic já lançaram soluções voltadas especificamente para a área médica, em uma corrida para ocupar um espaço que mistura alta complexidade, impacto social e enorme potencial econômico.
Com médicos cada vez mais pressionados por tempo, volume de informações e tomada de decisão, ferramentas baseadas em inteligência artificial deixam de ser apoio opcional e passam a se tornar parte estrutural da prática clínica. A trajetória da OpenEvidence mostra que, na saúde, a revolução digital já começou e está avançando rápido.
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