Thiago Ávila, ativista brasileiro, pediu pressão internacional após detenção

Manoela Cardozo Publicado em 09/06/2025, às 09h13
O ativista brasileiro Thiago Ávila foi detido nesta segunda-feira (09) por forças israelenses no Mar Mediterrâneo enquanto participava da missão humanitária Flotilha da Liberdade, que tinha como destino a Faixa de Gaza. A bordo do veleiro Madleen, ele estava acompanhado de outros 11 ativistas, incluindo a sueca Greta Thunberg. A embarcação transportava remédios e alimentos destinados à população palestina.
A detenção foi confirmada por meio de um vídeo gravado antecipadamente por Ávila, publicado pelo Instituto Brasil-Palestina, caso fosse capturado. “Se você está assistindo a este vídeo, significa que fui detido ou sequestrado por Israel ou outra força cúmplice no Mediterrâneo”, afirmou o ativista na gravação. Ainda no vídeo, ele acrescenta: “Nesse caso, peço que pressionem meu governo e os governos dos meus companheiros para que sejamos libertados imediatamente. Também os exortamos a romper relações com Israel, a acabar com o genocídio e a levantar o cerco que Israel impôs ao povo palestino.”
Segundo Lara, esposa de Ávila, a tripulação do veleiro enviou uma mensagem informando que estavam sendo abordados por militares israelenses. “[Eles disseram que] Estavam sendo atacados pelo exército israelense e o exército estava subindo no barco.”
Mais cedo, por volta das 11h30 (horário de Brasília), a página oficial da missão Flotilha da Liberdade publicou uma atualização informando que o Madleen se encontrava a aproximadamente 160 milhas náuticas (cerca de 300 quilômetros) de Gaza. A chegada à região estava prevista para terça-feira (10).
Israel já havia declarado que não permitiria a entrada do veleiro. Em nota oficial, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, reiterou o bloqueio marítimo: “Dei instruções ao Exército para impedir a chegada do ‘Madleen’ a Gaza. A Greta, a antissemita, e aos seus companheiros, porta-vozes da propaganda do Hamas, digo claramente: voltem, porque não chegarão a Gaza.”
A missão Flotilha da Liberdade é mais uma iniciativa internacional que tenta furar o bloqueio de Israel e fornecer ajuda humanitária aos mais de 2,3 milhões de palestinos que vivem sob cerco. Desde 2 de março, quando o governo israelense bloqueou por 78 horas a entrada de suprimentos na Faixa de Gaza, diferentes organizações têm buscado alternativas para garantir o acesso da população a alimentos e medicamentos. A atual ajuda internacional é liderada pela FHG (Fundação Humanitária de Gaza), apoiada por Israel e Estados Unidos, mas tem enfrentado severas críticas pela falta de transparência em suas operações.
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