Ação é a primeira ofensiva confirmada em território venezuelano desde a intensificação da pressão americana contra o governo Maduro

Manoela Cardozo Publicado em 30/12/2025, às 14h28
O primeiro ataque das forças dos Estados Unidos em território venezuelano foi conduzido pela Agência Central de Inteligência (CIA) e teve como alvo um porto supostamente utilizado por narcotraficantes, segundo revelou o jornal The New York Times, com base em fontes do governo americano. A operação teria ocorrido na semana passada, mas só foi anunciada oficialmente na segunda-feira (29) pelo presidente Donald Trump.
De acordo com a reportagem, o local atingido funcionaria como uma base logística da facção criminosa Trem de Aragua. No porto, segundo Washington, eram armazenados entorpecentes e preparados barcos usados para transportar drogas com destino aos Estados Unidos. As fontes ouvidas pelo jornal afirmam que ninguém morreu durante a ofensiva.
Apesar do anúncio feito por Trump, a Casa Branca não detalhou publicamente quem executou o ataque nem especificou o alvo. Em declarações a jornalistas, o presidente afirmou apenas que houve “uma grande explosão na área do cais onde eles carregam os barcos com drogas” e disse que a estrutura “não existe mais”. Questionado sobre a possibilidade de novas ações militares, Trump evitou responder.
O presidente norte-americano mencionou a operação pela primeira vez na sexta-feira (26), em entrevista à rádio WABC, de Nova York, mas sem citar diretamente a Venezuela. Na ocasião, disse que os Estados Unidos haviam destruído “uma grande fábrica ou instalação de onde saem os barcos”, comentário que passou quase despercebido.
No domingo (28), o New York Times informou que integrantes do governo americano confirmaram que Trump se referia a uma instalação ligada ao narcotráfico em território venezuelano. A confirmação pública do ataque ocorreu apenas no dia seguinte, após questionamentos da imprensa.
Até então, o governo dos EUA vinha divulgando apenas operações em alto-mar contra embarcações supostamente usadas por traficantes, além da apreensão de petroleiros associados ao regime de Nicolás Maduro. O ataque ao porto marca, portanto, a primeira ofensiva reconhecida em solo venezuelano desde o início da campanha de pressão de Washington, que incluiu o deslocamento de caças, navios de guerra e um porta-aviões para a região do Caribe.
Até a última atualização, o Pentágono não havia comentado oficialmente a operação, e o governo venezuelano também não se manifestou sobre o episódio.
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