ONG de defesa dos direitos humanos afirmou ter evidências do uso de armamentos proibidos em sete ataques

Redação Publicado em 13/06/2022, às 00h00 - Atualizado às 10h15
A Anistia Internacional acusou, nesta segunda-feira (13), a Rússia de crimes de guerra na Ucrânia, dizendo que centenas de vítimas morreram em incessantes ataques em Kharkiv, muitos deles realizados com bombas de fragmentação.
Após uma investigação, a ONG de defesa dos direitos humanos afirma ter encontrado evidências de que em sete ataques a bairros da segunda cidade da Ucrânia, no nordeste do país, as forças russas usaram bombas de fragmentação do tipo N210 e 9N235 e minas de fragmentação, duas categorias proibidas por tratados internacionais.
Intitulado “Todo mundo pode morrer a qualquer momento”, o relatório mostra como as forças russas mataram e causaram imensos danos ao bombardear bairros residenciais em Kharkiv desde o início da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro.
“As pessoas morreram em suas casas, nas ruas, em parques e em cemitérios, quando faziam fila para obter ajuda humanitária ou para comprar alimentos ou remédios”, diz Donatella Rovera, pesquisadora de situações de crise e conflito na sede da Anistia.

Restos de uma bomba de fragmentação não detonada no território ucraniano, em outubro de 2014 — Foto: Oleg Solvang/ Human Rights Watch
“A reiterada utilização de armas (…) proibidas é chocante e mostra um verdadeiro desrespeito pela vida dos civis”, acrescenta.
Mais de 12 mil investigaçõesEmbora a Rússia não tenha assinado a convenção sobre munições de fragmentação nem a de minas antipessoais, o direito internacional humanitário proíbe ataques e o uso de armas que atacam indiscriminadamente e constituem um crime de guerra, destaca o relatório.
A justiça ucraniana iniciou mais de 12 mil investigações por crimes de guerra desde o início da invasão russa, de acordo com a procuradoria.
A Anistia Internacional investiga 41 bombardeios que deixaram um total de ao menos 62 mortos e 196 feridos. Foram entrevistadas 160 pessoas em Kharkiv em abril e maio, incluindo sobreviventes de ataques, parentes de vítimas e testemunhas.
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